Não é exagero afirmar que Halo: Combat Evolved equivale ao “Super Mario Bros” para o Xbox. Na época, o título criado pela Bungie foi uma peça-chave para chamar atenção para a nova plataforma de games da Microsoft. O sucesso foi tanto que, desde então, a franquia nunca parou de receber novos lançamentos, sendo historicamente um dos três principais pilares do console. Halo Infinite, de 2021, foi o mais recente, mas esse acabou levando a série para o caminho do ostracismo. Depois de uma grande reformulação que culminou no fim da 343 Industries e na criação da Halo Studios, a série está de volta, tentando relembrar os tempos de glória com Halo: Campaign Evolved, um remake fiel do primeiríssimo título da saga, chegando ao PC, Xbox e, surpreendentemente, também para os jogadores de PlayStation.
Desenvolvimento: Halo Studios
Distribuição: Xbox Game Studios
Jogadores: 1 (local) e 1-4 (online)
Gênero: Tiro
Classificação: 16 anos (violência)
Português: Interface e legendas
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S
Duração: 8 horas (campanha)/19 horas (100%)
Voltando ao começo

Celebrando 25 anos, Halo: Campaign Evolved é um remake completo da campanha do primeiro título da série. Nela, controlamos Master Chief, um supersoldado ciberneticamente aprimorado que tem a missão de descobrir o que está acontecendo em um local inóspito com a forma de um anel, depois que sua nave espacial cai na região após ser atacada por aliens misteriosos pertencentes a um grupo chamado Irmandade. Aproveitando a ocasião, os desenvolvedores expandiram a narrativa com a adição de uma aventura extra, situada um ano antes dos eventos principais e composta por três missões inéditas com o protagonista.
Halo: Campaign Evolved é uma produção de 2026, mas a gameplay em primeira pessoa é à moda antiga, em um estilo mais rápido e arcade, sem tanto foco no realismo. Os produtores implementaram algumas pequenas melhorias de qualidade de vida nesse remake, adicionando, por exemplo, um botão para correr como nos shooters modernos e um rework na mecânica de vida, que não depende mais da coleta de itens de cura pelo mapa, funcionando automaticamente com um breve cooldown. É, no geral, uma experiência satisfatória e responsiva, mas é possível sentir o peso da idade do jogo por conta de várias decisões de design que eram comuns na época ou que não haviam sido refinadas o suficiente — no âmbito dos shooters de console, existe praticamente um “antes e depois” de Halo, de tão transformadora que a série foi em seu lançamento.

Alguns objetivos da campanha são bem repetitivos, com uma progressão confusa e mal elaborada, além da presença de parceiros controlados pela máquina que são completamente inúteis. A interface durante a partida chega a ser um pouco poluída, principalmente na hora de pegar itens do cenário, pois quando a munição de uma arma se esgota, o jogo prioriza um prompt sugerindo a troca para a arma secundária em vez de indicar mais rapidamente a opção de pegar uma outra arma no chão. Essas coisas são pormenores, mas tiram um pouco do dinamismo da aventura. Os produtores poderiam ter colocado a Cortana, a assistente de Master Chief, para indicar caminhos, mantendo um ritmo mais frenético para o jogo e compensando o direcionamento fraco das fases da campanha.
Remake bem feito, mas incompleto

Halo: Campaign Evolved é uma releitura fiel, mas sem o multiplayer tradicional, faltando uma parte importantíssima do que fez o shooter ser tão grande em sua época. No PC, não há suporte oficial para jogar com a tela dividida (ao contrário da versão para consoles), contando somente com o cooperativo online para até quatro pessoas de forma simultânea — os desenvolvedores aumentaram o limite máximo de dois jogadores que o game original tinha.
Os gráficos são de primeira. Os responsáveis refizeram o shooter na Unreal Engine 5, trocando os motores gráficos proprietários usados nos títulos anteriores da franquia pela solução da Epic com bastante sucesso. Os visuais beiram o fotorrealismo, com uma imagem nítida e detalhada, rodando com uma performance leve no PC, sem travamentos e com compatibilidade para todas as tecnologias de upscaling e geração de quadros possíveis da AMD e Nvidia. Só dá para notar pequenas quedas de quadros nos momentos em que há muitos adversários na tela, quando a experiência fica caótica.

Em uma tela com o formato ultrawide, mais especificamente, Halo: Campaign Evolved é um verdadeiro espetáculo, já que os produtores implementaram suporte para campos de visão mais amplos. O que ficou faltando, no entanto, é uma dublagem em português. As vozes dos personagens foram totalmente regravadas, mas apenas na versão em inglês e em outros idiomas estrangeiros. Os jogadores brasileiros, infelizmente, não ganharam o mesmo tratamento que os games da franquia costumavam receber desde o lançamento de Halo 3, em 2007. O que existe no shooter, sem tantos motivos para isso, são skins adicionais pagas, pertencentes a uma edição premium muito mais cara do que a edição normal.
Um retorno promissor
Para quem nunca jogou nada de Halo, Campaign Evolved é uma porta de entrada perfeita, ao mesmo tempo em que é um excelente convite para os fãs mais antigos revisitarem um clássico dos shooters. Os desenvolvedores acertaram no tom da revitalização, trazendo bons aprimoramentos que colocam o material original nos padrões da atualidade, embora pudessem ter ido além em alguns fatores. Mas, por ser um remake incompleto, sem o modo multiplayer, o título custa caro e não vale a pena em seu preço cheio, sendo um acerto da Microsoft apenas como mais um jogo do catálogo do Game Pass. No fim das contas, essa é só mais uma forma de jogar um game que já é acessível de outras formas, como na Master Chief Collection. Mas, pensando no futuro da franquia, voltar ao passado e retrabalhar o que já deu certo, como foi feito aqui com sucesso, pode ser a chave para que a série volte a ter relevância em um próximo lançamento principal.
Cópia de PC adquirida pelo Xbox Game Pass
Revisão: Jason MIng Hong




