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Review Jotunnslayer: Hordes of Hel (Xbox Series X) – O despertar do caos

Jotunnslayer: Hordes of Hel surge como uma aposta ambiciosa e de alto impacto no cada vez mais saturado gênero dos jogos no estilo de Vampire Survivors ou dos bullet heavens. 

Desenvolvimento: Games Farm, ARTillery 
Distribuição: Grindstone 
Jogadores: 1-2 (local)
Gênero: RPG, Ação, Aventura
Classificação: 16 anos (violência, medo)
Português: Legendas e Interface
Plataformas: Xbox Series X|S, PC, PS5
Duração: 9 horas (campanha)/27 horas (100%)

A forja de uma nova lenda 

Tente não ser sobrepujado pelas hordas

A premissa de Jotunnslayer nos atira sem cerimônias nas profundezas sombrias de Helheim e através de outros reinos inóspitos da mitologia nórdica, como Svartalfheim e Jotunheim. Ali, somos encarregados de uma tarefa dantesca: sobreviver a hordas virtualmente infinitas de criaturas mitológicas furiosas, mortos-vivos e feras sedentas por sangue, tudo com o propósito de ganhar o favor dos antigos deuses e, por fim, nos tornarmos o lendário e temido matador de gigantes, o Jotunnslayer. 

A base da jogabilidade é, sem surpresas, exatamente o que se espera dos jogos modernos deste gênero: você é lançado em uma arena restrita, ganha cristais de experiência ao derrotar inimigos e sobe de nível gradativamente para ter o direito de escolher novas melhorias aleatórias. Porém, é justamente neste ponto que Jotunnslayer começa a abrir suas asas e a mostrar os seus diferenciais e suas mecânicas em prol de uma jogabilidade mais ativa. Ao contrário do rígido “andarilho que apenas desvia” popularizado por Vampire Survivors, aqui você possui muito mais controle sobre a sua sobrevivência e capacidade de destruição.

Além da movimentação tradicional pelo cenário, o jogo introduz um botão de esquiva, uma habilidade ativa fundamental, e como cereja do bolo, a possibilidade de mirar manualmente os seus ataques básicos e habilidades direcionais para onde quer que esteja apontando. Em um gênero que muitas vezes te reduz a um mero “moedor de carne móvel e passivo”, ter o poder de traçar uma rota de fuga precisa e esquivar ativamente através de uma parede intransponível de inimigos adiciona uma camada profundamente bem-vinda de estratégia, posicionamento e agência ao jogador. Você não é apenas uma vítima das circunstâncias, mas sim o próprio caos.

Dança da morte em visão isométrica 

Diversos tipos de inimigos e habilidades para enfrentá-los.

É inegável e imediatamente perceptível que a primeira coisa que chama a atenção em Jotunnslayer: Hordes of Hel são os seus gráficos. Enquanto a imensa maioria dos jogos deste subgênero se apoia de forma confortável em pixel art 2D (como o pioneiro absoluto Vampire Survivors) ou em estéticas retrô (como Halls of Torment), a Games Farm optou pelo caminho mais difícil e recompensador. O jogo apresenta ambientes totalmente construídos em 3D, com uma iluminação dinâmica que reage aos feitiços, modelos de personagens detalhados e uma câmera de visão isométrica que remete de forma afetuosa e direta à franquia Diablo da Blizzard.

A atmosfera de fantasia sombria, muitas vezes descrita como grimdark, permeia absolutamente cada canto dos reinos explorados. Os efeitos de partículas merecem um destaque à parte. Quando a sua build (a composição de habilidades e modificadores do seu personagem) começa a ganhar forma e força, a tela inteira se transforma. Ela se enche de nevascas cortantes, meteoros flamejantes caindo do céu, relâmpagos ensurdecedores e feitiços divinos cruzando o cenário. Isso cria um espetáculo visual de encher os olhos que consegue manter a legibilidade da ação na maior parte do tempo, permitindo que o jogador entenda onde estão os perigos reais. 

De maneira geral, o design de áudio faz um trabalho competente, embora não alcance o mesmo nível que sua apresentação visual exibe. Os efeitos sonoros de combate durante o calor da batalha são satisfatórios. No entanto, a trilha sonora peca fortemente pela repetitividade e pela falta de identidade marcante a longo prazo.  

É uma pena que com tantas características que destacam o jogo dentro desse estilo, que a desenvolvedora optou por colocar o modo cooperativo somente de forma local. A negação do modo online, seja por limitação técnica ou por escolha própria, impacta negativamente a experiência. 

Bênçãos e tropeços divinos 

Sua árvore de habilidades

O sistema de progressão dentro da partida é, sem a menor sombra de dúvida, onde o jogo brilha. Você começa a jornada escolhendo uma classe base definida (como o Bárbaro, cujos talentos são naturalmente focados em ataques corporais de área e resistência a danos, ou outras variações inteligentes focadas em dano à distância e controle mágico do campo de batalha). É importante notar que cada uma dessas classes possui árvores de mecânicas, talentos inerentes e opções de armas próprias.

Mas a verdadeira diversão estratégica começa quando as esperadas bênçãos dos deuses nórdicos entram em cena. Ao subir de nível no meio da carnificina, o jogo permite que você escolha se aliar, de forma progressiva, aos poderes de entidades como Loki (que oferece um estilo focado em risco extremo e recompensa com feitiços caóticos e espíritos mágicos nocivos que orbitam o jogador), Thor, Freya, entre outras figuras da mitologia, cada um puxando os atributos do seu personagem para uma direção totalmente diferente.

Apesar dos seus inegáveis e muitos acertos estruturais, Jotunnslayer: Hordes of Hel infelizmente também sofre com algumas decisões de game design bastante questionáveis, além de certas falhas de balanceamento de atributos que quebram o fluxo contínuo da diversão. A minha maior queixa, é o quão perigosamente rápido o fator de repetição pode se instalar na mente do jogador. Como as habilidades de final de partida se tornam excessivas e problematicamente poderosas, todo e qualquer pensamento tático ou estratégico construído no início da fase muitas vezes é jogado pela janela da metade do cronômetro em diante. O combate tenso se transforma rapidamente em um monótono passeio no parque, não oferecendo resistência inimiga que cause perigo real até que o chefe finalmente apareça na tela. Somando-se a isso, os objetivos secundários que aparecem durante as missões têm pouco ou quase nenhum impacto na partida, pois oferecem alguns bônus temporários ou um pouco de dinheiro que contribui com a conversão em pontos de habilidade que se mantém entre as partidas. 

O veredito de Helheim 

Jotunnslayer: Hordes of Hel cumpre o seu objetivo preliminar e audacioso de provar ao mercado bilionário de videogames, aos fãs saudosos e aos mais céticos que existe, sim, espaço fértil para a experimentação moderna dentro do frenético e simplista mundo dos bullet heavens. A mistura visualmente cativante e imersiva do sombrio folclore nórdico com as infinitas possibilidades de customização, atreladas com excelência de classes originais carismáticas e entidades divinas, gera um ciclo orgânico e retroalimentado de jogabilidade imensamente viciante, capaz de manter o jogador na ponta da cadeira e instigá-lo à infame promessa da “só mais uma tentativa” repetidas vezes na madrugada afora. 

Cópia de Xbox Series X cedida pelos produtores

Revisão: Júlio Pinheiro

Jotunnslayer: Hordes of Hel

7

Nota Final

7.0/10

Prós

  • Visual de ponta
  • Temática e ambientação cativantes
  • Ótimo custo-benefício

Contras

  • Repetição exaustiva
  • Ausência de multijogador online
  • Objetivos secundários de mapa descartáveis