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Review Moonlighter 2: The Endless Vault (Switch 2) – Decisões ruins e um salto maior que a perna

Moonlighter 2: The Endless Vault é uma continuação que mantém alguns aspectos básicos do antecessor, mas em muitos quesitos, é bastante diferente. Aqui, temos um misto de roguelike de ação com gerenciamento de loja que, apesar de suas boas intenções e das mudanças dessa continuação, acaba tendo vários problemas.

Desenvolvimento: Digital Sun
Distribuição: 11 bit studios
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação, RPG
Classificação: 10 anos (linguagem imprópria, violência fantasiosa)
Português: Legendas e interface
Plataformas: PC, PS5, Switch 2, Xbox Series X|S
Duração: 14 horas (campanha)/29.5 horas (100%)

Comparações são inevitáveis

Inimigos aparecem um uma a três levas por sala
Durante as dungeons o jogo apresenta uma visão isométrica

Primeiramente, preciso dizer que experimentei Moonlighter 2: The Endless Vault com o primeiro em mente, então as comparações se tornam inevitáveis. À primeira vista, Moonlighter 2 parece pegar tudo que tínhamos no primeiro jogo e tornar maior e melhor. Após algumas horas, porém, vemos que isso não é exatamente verdade: nem é igual ao primeiro, nem necessariamente melhor.

A história é uma continuação direta do final do primeiro e o conceito é o mesmo: controlamos Will, um jovem que se aventura como guerreiro para desbravar masmorras, coletar relíquias e vendê-las em sua loja. Dessa vez, não estamos no seu vilarejo e na loja de seu avô, mas em um vilarejo distante e maior. Comparando com o primeiro jogo, o sistema de loja é expandido com novas mecânicas. No quesito da ação, ao invés de um dungeon crawler, aqui temos um jogo muito inspirado em Hades. O problema é que o apresentado é muito, mas muito mais fraco que Hades e outros jogos inspirados nele.

Mais um Hades-like

Há algumas mecânicas para otimizar seus ganhos
A sua loja vai sendo aprimorada ao longo da campanha

Onde gastaremos mais tempo é na parte de ação. Will pode atacar com uma arma branca e uma arma de fogo, cuja munição recarrega à medida que atacamos com a outra arma. O protagonista também pode esquivar, usar poções e atacar inimigos com sua mochila quando estão fracos. Há três dungeons com duas partes cada, cada parte com várias áreas, um subchefe no meio e um chefe no final. Caminhamos de sala em sala enfrentando inimigos e escolhendo a próxima sala, que pode fornecer uma nova vantagem, itens ou outras opções, além do chefe e subchefe da área.

É aqui onde o jogo tentou ser Hades, mas falhou muito. Nas áreas de coleta de vantagens, ao derrotar os inimigos devemos escolher uma entre três opções. Os efeitos dos boons não são muito interessantes e alguns até mal explicados e um pouco difíceis de entender. Não foram poucas as vezes onde nenhuma das opções mostradas eram interessantes e eu simplesmente escolhi seguir sem pegar nenhuma, pois a desvantagem não compensava o ganho.

O jogo tem cerca de seis ou sete “elementos”, mas apenas dois deles estarão disponíveis em cada run, limitando bastante as builds. Não é um combate necessariamente ruim, mas tentou abraçar muita coisa e não foi bem sucedido. E também há áreas com relíquias, onde encontramos baús ao final com os cobiçados itens para vender. O jogo implementou diferentes sistemas para aprimorar os itens ao encaixá-los em sua mochila, o que cria uma camada de estratégia que ficou legal.

Sistema de venda não ficou necessariamente melhor

A certa altura, fica bem fácil vencer os chefes e a dificuldade não aumenta, mas você precisará enfrentar para ganhar mais dinheiro
Os chefes de cada área são interessantes, mas os intermediários são apenas versões mais fortes de inimigos comuns

Em relação ao sistema de loja, as coisas também não são muito boas. Você só vende um item de cada tipo por vez, ao invés de conjuntos como antes. Há vários e vários sistemas e lojas no jogo, que não se encaixam necessariamente bem. A impressão é que essa continuação quis dar um salto grande demais e não soube lidar com isso, ao invés de apostar em algo mais incremental e coeso.

Apesar de eu não ter achado Moonlighter muito bom, ele era bem calibrado para agradar meu simples cérebro, com números saltando na tela e progresso constante, fazendo com que eu não largasse até ver o final. Já nessa continuação, há uma repetitividade enorme para chegar no final, que é baseado em coletar determinadas quantias de dinheiro. Em termos visuais, o jogo mudou totalmente em relação ao original de 2017. Ao invés de pixel art, temos um jogo 3D com cenários isométricos que é bastante bonito.

Roda mal, muito mal

Você pode apenas colocar as relíquias na mochila ou trabalhar para otimizar sua renda
Há algumas espécies de minigames ao organizar as relíquias na mochila (repare nas legendas – mais um dos vários bugs do game)

Outro grande problema é que o jogo roda mal, ao menos no Switch 2, onde testei. Os tempos de carregamento são exageradamente altos, principalmente para um jogo que não parece exigir nada demais da máquina. Menus são pouco responsivos e há um atraso irritante entre selecionar um mostruário da loja e ele abrir para escolhermos o item.

Também há bugs diversos e, por fim, um dos chefes é simplesmente impossível de ser vencido no momento, até que haja um patch. E não é por falta de habilidade: ao passar de uma fase para outra do combate, o jogo trava, é apresentada a mensagem de erro no Switch 2 e voltamos para a tela inicial do console. Não sei se problemas semelhantes acontecem no PC (onde o jogo está em early access há algum tempo), mas é necessário aprimorar o desempenho para a experiência técnica ser satisfatória no Switch 2.

Objetivamente melhor, mas a experiência final não mostra isso

Moonlighter 2: The Endless Vault é um jogo que tem um bom conceito e tinha tudo para agradar os fãs do original, mas infelizmente deixa a desejar. Os desenvolvedores miraram em Hades, mas construíram uma continuação que talvez seja até mesmo inferior ao primeiro, ao considerar o conjunto da obra.

Cópia de Switch 2 cedida pelos produtores

Revisão: Julio Pinheiro

Moonlighter 2: The Endless Vault

6

Nota final

6.0/10

Prós

  • Bonito visual
  • Minigames de itens na mochila

Contras

  • Sistemas de venda e combate não são muito divertidos
  • Repetitivo para chegar ao final
  • Desempenho deixa a desejar
  • Texto em português tem vários erros