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Review Big Walk (Switch 2) – Uma caminhada como nenhuma outra

De tempos em tempos, ainda vemos jogos que oferecem experiências que surpreendem mesmo quem está calejado com décadas no ramo e Big Walk é uma dessas aventuras. Ainda que apenas observando a jogabilidade não encontremos nada necessariamente surpreendente, a interação obrigatória com outros jogadores faz deste um dos jogos mais únicos já lançados.

Desenvolvimento: House House
Distribuição: Panic
Jogadores: 1-12 (online)
Gênero: Puzzle
Classificação: Livre
Português: Legendas e interface
Plataformas: PC, PS5, Switch 2
Duração: 11.5 horas (campanha)/16 horas (100%)

Jogo apenas para quem tem amigos

Outra forma divertida é utilizar o sinalizador
Você deve se preparar para a noite e sempre ter alguma lanterna no grupo

Big Walk é o novo lançamento da House House, time responsável anteriormente por Untitled Goose Game, o famoso jogo do ganso. A partir disso, já vemos que não é um estúdio com ideias tradicionais. O objetivo aqui é simples: você e seus amigos devem desbravar um mapa aberto resolvendo quebra-cabeças.

O jogo é obrigatoriamente uma experiência multiplayer online, não sendo possível jogar sozinho. Você até pode criar uma partida e ir avançando sozinho pelo mapa, mas não vai ser possível progredir na aventura. O game é totalmente construído a partir dessa premissa, então é importante saber antes de comprar que realmente não é possível jogar sozinho. Também não há nenhum tipo de lobby aberto ou matchmaking: você necessariamente deve conhecer com quem jogar.

Comandos simples, mas suficientes e eficazes

Também há um mapa portátil que podemos carregar
Ao início de cada sessão é uma boa estratégia consultar o mapa para se planejar

Cada jogador controla um personagem simples, formado basicamente de formas geométricas. Os controles são poucos, mas permitem várias ações. Você pode controlar os braços para cima e para o lado, além de usá-los para carregar itens. Também podemos pular, correr e agachar. E podemos, claro, andar, como diz o título.

Não só o jogo obrigatoriamente deve ser jogado em equipe como a comunicação por voz também é necessária. Você até pode escrever mensagens em texto, mas é bastante contraproducente para resolver os puzzles. O jogo conta com crossplay entre as três plataformas em que está disponível — experimentei jogar com amigos em todas elas simultaneamente e funcionou muito bem em todos os casos.

Um host é responsável por criar a partida e também é quem salva o progresso. Os outros jogadores entram a partir de um código ou, se forem amigos na mesma plataforma, o jogo já recomenda a partida. Começamos em uma sala com mensagens de tutorial e logo seguimos para o mapa, onde temos contato com o mundo do jogo.

Colaboração é necessária para avançar

Também há pinos especiais para quem quiser fazer 100%
Coletar os pinos e usá-los nas torres avança o jogo

Logo nos primeiros puzzles, entendemos a necessidade da voz e as possibilidades de cada um dos controles. Temos um mapa aberto que é um cenário de natureza, com florestas, praias e montanhas e que, muito notoriamente, há diversas estruturas claramente artificiais de diferentes cores. O que mais encontramos nelas são quebra-cabeças que, ao serem resolvidos, liberam uma espécie de pino. Esses pinos são então usados para avançar no jogo ao serem reunidos em estruturas específicas.

Devemos então explorar o mapa e encontrar os quebra-cabeças. E é nisso que está o grande mérito do jogo. Os puzzles são incrivelmente bem pensados e divertidos de serem encontrados, pensados e resolvidos. Eles são adaptados a três modos de jogo: dois, três ou quatro a doze jogadores, em todos os casos. Cada puzzle encontrado já desperta nos jogadores a curiosidade para saber o que encontraremos.

Momentos únicos

Na maior parte do jogo, estaremos mesmo andando
Há momentos unicamente de contemplação durante a jornada

Ainda que diversos desafios repitam alguns elementos, todas as experiências são únicas. É até um pouco difícil falar sobre os puzzles porque tenho receio de estragar a surpresa de quem ainda for jogar. Acredite, recomendo que apenas jogue e vai entender o que digo. Além disso, o game te surpreende frequentemente, com paradas para contemplação e outros momentos especiais.

Outro fator divertido são os itens. Há diversas ferramentas, como lâmpadas, apontadores laser, rádios para comunicação à distância, sinalizadores, entre vários outros, sendo que todos são úteis em algum momento. Parte da estratégia do jogo é que cada personagem pode carregar poucos itens, então o time deve se organizar para combinar e priorizar quem carrega o que, além dos pinos em si. Além de simplesmente ser divertido e engraçado ficar andando e ligando e desligando sua lanterna, soltando flares ao esmo ou gritando no megafone.

Em suma, Big Walk é um jogo com uma cara aparentemente simples, mas na realidade, é extremamente bem pensado para gerar interações únicas entre os jogadores e um tipo de diversão raramente presenciado antes em videogames.

No fim, tudo se resume à interação com outros humanos

Big Walk é o tipo de jogo que não vai te conquistar por gráficos elaborados, conteúdo vasto ou outras coisas que cansamos de ver no mercado. Ainda que a jogabilidade também seja muito bem elaborada, o grande destaque aqui é algo muito mais primordial e simples do que isso: a interação humana. Pode ser um pouco complicado encontrar amigos e coincidir horários para jogar, mas acredite quando digo que valerá muito o esforço, pois serão momentos inesquecíveis.

Cópia de Switch 2 cedida pelos produtores

Revisão: Julio Pinheiro

Big Walk

10

Nota final

10.0/10

Prós

  • Interação obrigatória é incrivelmente divertida e recompensadora
  • Controles simples e eficientes
  • Puzzles muito bem elaborados

Contras

  • Alguns leves problemas de desempenho em alguns momentos