Aggelos II capa

Review Aggelos 2 (Switch) – Uma continuação mais bonita

Aggelos 2 é um jogo de ação e plataforma em 2D que coloca você no papel de um Aggelos, um anjo de alto escalão enviado para ajudar a restaurar a paz enquanto os deuses da luz enfrentam o exército das trevas. A aventura acontece entre dois reinos sobrepostos, de luz e escuridão, e a transformação entre as duas formas é uma parte importante tanto do combate quanto da exploração. Com uma jogabilidade claramente inspirada nos clássicos da série Wonder Boy, a continuação aposta em controles precisos, exploração e uma boa dose de combate para criar uma aventura retrô bastante competente.

Desenvolvimento: WONDERBOY BOBI
Distribuição: PQube
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação, Plataforma
Classificação: 10 anos (violência fantasiosa)
Português: Legendas e interface
Plataformas: Switch, PC, PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X|S

Uma aventura com espírito de Wonder Boy

Cena de luta com chefe

A história de Aggelos 2 é bastante envolvente e consegue fazer você sentir o peso da responsabilidade do protagonista. Existe uma ameaça grande acontecendo e você realmente sente que está avançando para tentar restaurar a paz entre os dois lados. A narrativa não precisa exagerar para funcionar, e a própria ideia de alternar entre a forma de luz e a forma sombria dá ao protagonista uma identidade interessante.

Na jogabilidade, fica muito fácil perceber a inspiração em Wonder Boy. Os controles são bastante precisos, o movimento é responsivo e o combate funciona muito bem, principalmente porque existe uma barra de magia que pode ser restaurada durante as batalhas ao absorver projéteis inimigos. Isso incentiva você a continuar atacando e usando suas habilidades em vez de simplesmente guardar tudo para momentos específicos. No geral, você pode atirar, planar por alguns segundos, e desferir ataques com sua espada.

Explorar, melhorar e se transformar

Cena em que protagonista se transforma

A exploração também tem uma boa recompensa. Você encontra melhorias escondidas que aumentam sua bolsa de orbes, quantidade de corações e capacidade de carregar frascos. É divertido procurar esses upgrades porque eles não parecem apenas itens colocados ali para preencher o mapa: encontrar cada um realmente ajuda a fortalecer seu personagem e cria mais um motivo para explorar os cantos das áreas.

A habilidade de transformação é outra adição bastante interessante. Alternar entre as duas formas abre novas possibilidades de exploração e combate, e conseguir essa habilidade gera aquela sensação satisfatória de que seu personagem acabou de ganhar uma ferramenta importante para a aventura. O problema é que essa mesma mecânica também é responsável por alguns dos momentos mais confusos do jogo.

Um ótimo jogo retrô que exagera no backtracking

Cena de vôo do protagonista

Quando você precisa se transformar, disparar projéteis e depois voltar para a forma anterior rapidamente, os controles começam a ficar um pouco confusos. É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, principalmente quando você precisa executar essas ações rapidamente durante uma seção de combate ou plataforma. A ideia da transformação é boa, mas a execução nem sempre é tão intuitiva quanto deveria — até porque cada botão faz uma coisa.

O outro problema é o excesso de idas e vindas. Backtracking normalmente faz parte do charme de títulos desse gênero, principalmente quando uma nova habilidade permite acessar uma área que antes estava bloqueada. Aqui, porém, isso acontece vezes demais e começa a ficar cansativo. Em vez de criar aquela sensação boa de revisitar um lugar com novas possibilidades, muitas dessas viagens acabam parecendo apenas um caminho que você precisa repetir para chegar ao próximo objetivo — mesmo com viagem rápida sendo presente aqui.

Cena de fonte mudando no PTBR
Fonte em PTBR
Fonte original

Outra menção é que, estranhamente, a fonte muda — para uma fonte bem sem personalidade e não pixelizada — ao selecionar qualquer outro idioma que não seja o inglês. E isso não ocorre por falta de acentos, pois justamente em inglês o idioma PTBR está definido como “Português Brasileiro” com acento e tudo — portanto, não sei o motivo pela adoção da fonte sem personalidade.

Um ótimo jogo retrô que exagera no backtracking

Aggelos 2 acerta em praticamente tudo que eu esperaria de uma aventura retrô desse tipo. A jogabilidade é precisa, o combate é divertido, a exploração recompensa você com melhorias úteis e a estética em pixel art lembra muito a era do SNES, mas com uma resolução mais moderna. No geral, Aggelos 2 é uma aventura muito competente e uma boa escolha para quem sente falta daquele estilo clássico de ação e plataforma, especialmente se você gosta de jogos que misturam exploração, combate preciso e progressão com novas habilidades. Porém, o backtracking e a revisitação de cenários ficaram exagerados aqui, além da navegação confusa.

Cópia de Switch cedida pelos produtores

Aggelos 2

7

Nota final

7.0/10

Prós

  • História envolvente
  • Controles responsivos
  • Combate divertido
  • Exploração concede upgrades

Contras

  • Excesso de backtracking
  • Mapa confuso
  • Transformação faz controles ficarem confusos