Hot Wheels: Infinite Rush capa

Review Hot Wheels: Infinite Rush (Switch 2) – Sem vida, mas divertido

Hot Wheels Infinite Rush é um título de corrida baseado na famosa linha de carrinhos da Mattel, colocando você para acelerar por diferentes pistas, desbloquear novos veículos e explorar novas áreas ao longo da campanha. A progressão funciona principalmente através da conquista de novos carros e da liberação de novas ilhas, que apresentam novos locais e competições. Dessa vez, a aventura sai dos cenários em casa e quintais, tornando a proposta algo mais diferenciado e próximo de títulos de corrida de mundo aberto como Forza Horizon.

Desenvolvimento: Milestone
Distribuição: Milestone
Jogadores: 1–4 (local e online)
Gênero: Corrida, arcade
Classificação: Livre
Português: Legendas e interface
Plataformas: Switch 2, PS5, Xbox Series X|S, PC

Desbloquear carros e novas áreas é divertido

Cena de corrida em circuito

A melhor parte de Hot Wheels Infinite Rush está na própria progressão. Você começa com alguns veículos e, conforme avança, consegue desbloquear novos carros e novas áreas do mapa. Cada ilha apresenta novos lugares e competições, o que cria aquela vontade de continuar jogando para descobrir o que vem depois.

É uma fórmula bastante conhecida, mas funciona porque existe sempre alguma coisa nova para liberar. As atividades também até que são bem variadas, entre corridas em circuitos, contra o relógio, e coisas menores como tirar foto na frente de um monumento com um carro de categoria específica. Também podemos desafiar carros aleatórios no mapa para incluí-los na coleção.

Cena de mapa da ilha

O problema é que essa sensação de novidade dura menos do que deveria. Os cenários são estruturalmente muito parecidos entre si, e as próprias pistas acabam seguindo ideias muito semelhantes: chão, pista com armadilhas, e terreno novamente. Faltou um melhor aproveitamento da área aquática, aérea, e afins. Existem muitas oportunidades, fisicamente falando, que não foram observadas.

Mesmo quando você chega a uma nova área, não existe aquela sensação forte de estar realmente descobrindo um lugar diferente. No fim, muda bastante a aparência e elementos do cenário, como algo mais urbano ou desértico, mas pouco muda na estrutura da experiência.

Um mundo que parece vazio e sem alma

Cena de corrida com carro pesado

Outro problema é que o mundo de Hot Wheels Infinite Rush parece completamente sem vida. Os locais não possuem muita personalidade e falta aquele cuidado necessário. Sei que se trata de um mundo de brinquedos, mas temos apenas carros andando por aí sem rumo e cidades vazias, já que pedestres não existem no universo.

Tudo está ali para servir como pista ou cenário, mas quase nada parece existir para além disso. Isso deixa a exploração bastante sem graça e faz as ilhas parecerem mais como grandes menus interativos do que como lugares de verdade. Também não é possível selecionar os eventos, mas é necessário viajar até eles.

Para um jogo que deveria explorar justamente a criatividade dos brinquedos Hot Wheels, eu esperava muito mais variedade nos circuitos. Faltam aqueles momentos em que você pensa “caramba, essa pista é completamente diferente da anterior” ou “que coisa maluca é essa?”.

Um multiplayer que não incentiva você a jogar

Cena de corrida em tela dividida

No mais, o multiplayer local também sofre com uma decisão que, para mim, não faz muito sentido. Você pode jogar com outra pessoa, mas essas partidas não ajudam em nada na progressão da campanha. Você não desbloqueia conteúdo, não recebe pontos e não ganha dinheiro para comprar novos elementos no modo história. Ou seja, depois de algumas corridas, fica difícil encontrar um motivo para continuar jogando esse modo além da própria diversão momentânea. Já o online, não pude testar por ter recebido o jogo antes do lançamento e uma base de jogadores escassa.

E existe ainda uma limitação técnica bastante evidente na versão para Switch. O jogo roda a 30 fps em todos os modos, tanto no portátil quanto conectado à televisão. Para um jogo de corrida arcade como esse, eu esperava uma taxa de quadros mais alta, principalmente porque a sensação de velocidade e a precisão dos controles são importantes nesse gênero. Não é algo que destrua a experiência, mas definitivamente deixa a versão do Switch atrás do que eu esperaria de um jogo desse tipo.

Jogo com potencial não totalmente explorado

Hot Wheels Infinite Rush tem uma ideia de progressão que funciona: correr, desbloquear veículos, abrir novas ilhas e continuar descobrindo competições é uma fórmula divertida e fácil de entender. O problema é que o game não consegue sustentar essa sensação de novidade por muito tempo, principalmente porque as pistas são muito semelhantes e os cenários parecem vazios e sem muita vida — engraçado dizer isso para um jogo baseado num brinquedo. O multiplayer local também acaba sendo pouco incentivado, já que suas partidas não contribuem para a progressão da campanha, enquanto os 30 fps constantes no Switch deixam a experiência tecnicamente abaixo do que eu esperava. Para mim, faltou justamente aquilo que deveria ser o maior diferencial de Hot Wheels: criatividade. O jogo não é um desastre — longe disso —, mas deixa muitas pontas soltas.

Cópia de Switch 2 cedida pelos produtores