Dragon Quest Heroes: Torneko’s Mystery Dungeon -Classic HD- é um dungeon crawler roguelike originalmente lançado apenas no Japão e que finalmente chega ao ocidente em uma versão remasterizada. Você controla Torneko, o comerciante de Dragon Quest IV, enquanto explora uma masmorra que muda a cada tentativa, derrota monstros, encontra equipamentos e tenta chegar cada vez mais fundo em busca de tesouros. A ideia é simples: você entra, começa no nível 1, aprende com cada tentativa e tenta ir mais longe na próxima. Porém, o quanto isso funciona atualmente e o quão bom é o remaster?
Desenvolvimento: Spike Chunsoft
Distribuição: Square Enix
Jogadores: 1 (local)
Gênero: RPG, Estratégia, Simulação, Aventura
Classificação: 7 anos (violência fantasiosa)
Português: Não
Plataforma: Switch, Switch 2, PS5, Xbox Series X|S, PC
Um clássico com uma apresentação nostálgica

Visualmente, Dragon Quest Heroes: Torneko’s Mystery Dungeon -Classic HD- consegue entregar uma sensação nostálgica muito boa. O jogo usa a tecnologia dos títulos mais recentes de Dragon Quest para recriar seus gráficos 2D em um ambiente levemente tridimensional, com câmera e elementos que dão uma profundidade diferente ao visual clássico. É uma solução interessante para preservar a aparência original sem simplesmente colocar uma camada de alta resolução por cima.
A própria estrutura aqui também é interessante. Cada vez que você entra na Mystery Dungeon, o mapa, os itens e os monstros mudam, enquanto Torneko sempre começa no nível 1. Isso cria aquele ciclo de morrer, começar novamente e tentar chegar um pouco mais longe. Além disso, os NPCs podem trazer novas informações e conselhos conforme você avança e retorna, além de cutscenes que vão contando mais da história — algo típico de Roguelikes.

No mais, a jogabilidade consiste em atacar inimigos, adquirir itens encontrados nos andares para equipar (escudo e armas), ir mais fundo nas masmorras e utilizar itens para manter a saciedade do estômago em uma alta porcentagem e curar Torneko — ou para atacar inimigos, no caso de itens ofensivos.
Um roguelike das antigas

Uma coisa que gostei bastante é a quantidade de opções para personalizar o equilíbrio da experiência. O game permite ajustar a dificuldade de acordo com o seu estilo, o que basicamente funciona como uma seleção de dificuldade e deixa a experiência menos rígida para quem não está acostumado com esse tipo de dungeon crawler. Outro detalhe aprovado é que você consegue atacar, andar e interagir nas diagonais. Parece algo pequeno, mas muda bastante a movimentação quando comparado a outros títulos do gênero.
Também existe uma opção para sair da partida e continuar depois de onde você parou, o que é bastante conveniente para uma experiência baseada em tentativas. O problema é que, fora essas facilidades, o roguelike aqui é bastante cruel. Você não mantém seus itens quando morre, não existe uma evolução permanente relevante (upgrades) e você volta praticamente ao ponto zero. No máximo, pode utilizar um pergaminho que permite escapar para manter seu arsenal de armas.
Muito potencial, mas muito atraso

O inventário também me incomodou bastante. Quando você encontra um item novo, uma mensagem explica o que ele faz, mas não existe uma maneira adequada de voltar depois e consultar essa informação. Se você esquecer o efeito de alguma coisa, azar o seu. Em uma gameplay baseada em experimentar itens e aprender com cada tentativa, eu esperava uma solução muito mais prática para isso.
E então temos os atrasos nas mensagens e na própria movimentação, que são provavelmente o aspecto mais irritante da experiência. Os textos demoram demais para desaparecer, o que interrompe constantemente o ritmo, e até caminhar segurando B acaba tendo momentos em que Torneko simplesmente para sem explicação.

Também senti falta de comandos exibidos na tela. Como existem vários botões e ações diferentes, às vezes você simplesmente esquece qual botão faz determinada coisa, aperta o errado no momento errado e acaba morrendo por causa disso. Em um dungeon crawler em que cada movimento importa, isso é especialmente frustrante.
Um clássico trazido de forma frustrante
No fim das contas, Dragon Quest Heroes: Torneko’s Mystery Dungeon -Classic HD- é um daqueles remasters que apresentam um pedaço importante da história de um gênero, mas que também deixam muito claro por que esse estilo de roguelike não funciona para todo mundo. O game é bem interessante para conhecer as origens de Mystery Dungeon do NES, mas sua estrutura extremamente punitiva e algumas decisões de interface fazem com que essa experiência clássica seja muito mais cansativa do que precisava ser.
Cópia de Switch cedida pelos produtores




