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Review RuneScape: Dragonwilds (PC) – A magia de um mundo punitivo

Depois de uma longa espera no acesso antecipado, RuneScape: Dragonwilds está oficialmente entre nós! O título traz uma mistura viciante de RPG e sobrevivência, ambientada em um mundo aberto cercado de mistérios e muita magia. Mas fica o aviso: embora o visual seja marcante, encarar essa jornada totalmente solo pode ser uma experiência um tanto frustrante.

Desenvolvimento: Jagex 

Distribuição: Jagex

Jogadores: 1-4 (online)

Gênero: Ação, Aventura, Simulação, RPG

Classificação: 16 anos (violência, linguagem imprópria)

Português: Legendas e interface  

Plataforma: Xbox Series X|S, PS5, PC, Switch 2

Duração: 22 horas (campanha)

Um mundo com regras

O personagem está andando em uma floresta com uma cabana e uma ruína ao fundo.
Explore cada lugar

Foram mais de doze meses de espera, mas RuneScape: Dragonwilds finalmente deixou o acesso antecipado para estrear sua versão 1.0! Após lapidar suas mecânicas de sobrevivência e a rica construção de seu universo, o lançamento oficial chega com tudo: novos recursos, reformulações de qualidade de vida e conteúdo de sobra para revolucionar a jornada tanto de veteranos quanto de novatos. Quer saber o que muda? Vamos mergulhar juntos em todas as novidades, do ciclo principal de gameplay à magia da sobrevivência.

Ao iniciar, o jogador é convidado a criar seu personagem. O sistema de personalização oferece uma base sólida, permitindo ajustes em penteados, formatos de rosto e outros detalhes visuais. Contudo, apesar da variedade, as opções ainda carecem de refinamento e profundidade, transmitindo a sensação de que o jogo poderia investir mais nesse aspecto para acompanhar padrões atuais do gênero.

O personagem está ao lado de uma fogueira e um assentamento.
Converse com cada personagem que encontrar

Após a criação, o jogo conduz o jogador diretamente a tutoriais nos levando direto para os primeiros problemas: o sistema de missões, em vez de orientar de forma clara, acaba se tornando um obstáculo. O jogo indica o que deve ser feito, mas falha em explicar como realizar as tarefas, gerando frustração logo nos primeiros passos.

Os tutoriais exigem a coleta de recursos básicos, como materiais e alimentos. Essa mecânica é central para a progressão, já que os recursos sustentam a construção de bases, a fabricação de armas e o fortalecimento de equipamentos. A gestão da alimentação também se mostra essencial, pois influencia diretamente a sobrevivência e os atributos gerais do personagem. No entanto, a forma como essas tarefas são apresentadas carece de clareza e ritmo, tornando o aprendizado inicial mais confuso do que deveria.

O personagem está levitando uma caixa no modo construção.
Tire um tempo para melhorar sua base

Uma das missões tutoriais exigia a criação de artefatos rúnicos, mas o processo revelou falhas graves de design: mesmo após reunir materiais, construir o altar e produzir os itens, o NPC não reconhecia a conclusão da tarefa, obrigando a repetição de ações mecânicas por vários minutos sem resultado. A missão só avançou de forma aleatória quando o NPC finalmente aceitou a entrega, evidenciando problemas de consistência que transformam um exercício simples em frustração e comprometem a credibilidade do sistema de tutoriais.

Vivendo e aprendendo

Enfrentando uma grupo de goblins.
Defenda sua base de vez em quando

Se por um lado é legal descobrir as coisas sozinho, por outro, Dragonwilds bem que poderia ser mais claro. Ninguém merece depender de tentativa e erro para entender objetivos básicos logo no tutorial, né? Ainda mais quem está chegando agora e jogando solo. E isso puxa para o próximo problema. Joguei a versão de acesso antecipado e um pouco da 1.0 totalmente sozinho e, apesar do começo divertido, logo lembrei por que o gênero de sobrevivência brilha mesmo em grupo. 

Enquanto corria pela minha vida, só conseguia pensar no quão injusta é a barra de estamina desse jogo. São poucos segundos de corrida e pronto: seu personagem já está sem fôlego. Isso até seria aceitável se a inteligência artificial não fosse tão implacável. Os monstros de nível baixo são agressivos demais e adoram cometer o famoso “ataque em grupo” para cima de você.

Enfrentando um grupo de goblins no acampamento.
Esteja sempre preparado para invasões

Encarar um ou dois goblins é tranquilo, mas quando um enxame surge com clavas e arcos, o jogo vira um pesadelo. Em alguns momentos, mal consegui sair do portão da minha base sem ser perseguido. Aí você tenta correr, a estamina acaba num estalo, e você fica ali: sem conseguir fugir e nem revidar. Isso definitivamente não é um problema do jogo, mas creio ser um problema para novos jogadores. Caso a proposta seja conquistá-los, dessa forma não será.

Para completar, a punição ao cair em combate deixa bem explícito o quanto jogar sem companhia pode ser cruel. Você renasce de mãos abanando e precisa encarar os mesmos monstros de mãos vazias só para tentar reaver suas coisas. Quando chega a hora de erguer sua base, o fardo pesa ainda mais: todo o tempo gasto acumulando materiais e levantando as paredes é atropelado por investidas sem fim. A sensação de exaustão é imediata, escancarando que o título foi desenhado para ser aproveitado com amigos, transformando o caminho solo em uma verdadeira provação. 

Explorando uma dungeon.
Alguns lugares escondem segredos com boas recompensas

Mesmo com os tropeços no modo solo, o jogo ganha outra vida nessa versão oficial. O game agora une comunidades ao permitir que todo mundo jogue junto, marcando também a estreia histórica da franquia nos consoles. Isso não só aumenta o público, mas joga os refletores no cooperativo — que fica infinitamente melhor, mesmo se você tiver apenas um amigo ao lado. Aquela sobrevivência brutal e injusta de quando você está sozinho vira um desafio equilibrado e viciante em grupo. No fim das contas, fica claro: o design de Dragonwilds nasceu para ser vivido em equipe.

A magia em sua melhor forma

O personagem está parada com um cetro na mão. Ao fundo uma ossada gigante do que poderia ser um dragão.
Cada região tem seu bioma

Se existe um aspecto no qual realmente brilha e se destaca da concorrência, é o seu surpreendente sistema de magia. Longe de ser um mero capricho estético, o uso da magia transforma a dinâmica de gameplay e assume o papel de protagonista da jornada, tanto em grupo quanto para os corajosos que se aventuram sozinhos. Os encantos desempenham um papel multifacetado: otimizam a colheita de suprimentos, garantem vantagem em lutas intensas e garantem um leque versátil de táticas. A evolução desses poderes também reflete o charme característico do título, exigindo drenar fontes místicas, extrair resíduo arcano e canalizá-lo em santuários para liberar mais de duas dezenas de magias únicas ao longo da jornada. Fica evidente o carinho da Jagex em resgatar a essência lendária da saga, adaptando-a com maestria às dinâmicas de sobrevivência.

Depois que você supera a curva de aprendizado de criar runas, RuneScape: Dragonwilds mostra a que veio com o uso estratégico das magias. Os feitiços de escudo, por exemplo, viram seus melhores amigos na sobrevivência, servindo como uma defesa instantânea contra a agressividade dos monstros. Em vários momentos, lançar um escudo foi a diferença entre morrer em segundos ou conseguir tempo suficiente para recuar e planejar o próximo passo. Isso prova que a magia aqui não é só um capricho visual, mas sim uma mecânica crucial que equilibra a dificuldade e te dá chances reais de sobreviver nesse mundo hostil.

O personagem está enfrentando um dos dragões do jogo.
As lutas contra chefes são desafiadoras

O mais legal é ver como a magia ajuda até nas tarefas mais simples, como derrubar árvores para pegar madeira. Isso acelera o processo e transforma aquela rotina repetitiva de coleta em algo estratégico, em que você pode alinhar vários troncos e colher tudo de uma vez. Só que o sistema tem seus problemas: o tempo de recarga dos feitiços é longo demais para um jogo com inimigos tão agressivos, e ter que abrir o menu radial toda hora quebra totalmente o ritmo do combate. No fim das contas, você acaba morrendo antes mesmo de conseguir soltar o feitiço. É um contraste frustrante entre uma ideia genial e uma execução que ainda precisa de muito polimento em ritmo e acessibilidade. Mas, claro, eu comparo esse sentimento em relação a jogadores novatos ou não familiarizados com o estilo do jogo. Veteranos ou adeptos ao estilo “Souls” podem achar que isso é fácil.

Se torne o melhor de si mesmo

Chegando em uma região nova que é castigada por raios constantemente.
Tem região que te pune só de você estar ali

No quesito narrativo, temos aqui uma história robusta e extremamente bem estruturada. A trama acompanha uma equipe de expedição isolada em Ashenfall, um continente esquecido dentro de Gielinor — o universo de fantasia clássico de RuneScape. O enredo ganha força ao resgatar personagens icônicos do MMO original, estabelecendo uma ponte direta com a franquia e oferecendo aos fãs veteranos um gratificante senso de continuidade. Esse cuidado com o roteiro não apenas enriquece a ambientação, mas também eleva o título acima de outros jogos de sobrevivência, adicionando uma camada de identidade e pertencimento que vai muito além das mecânicas de exploração e combate.

Chegar a Ashenfall de mãos vazias e batalhar até derrubar um grande dragão no mundo superior é uma jornada que mostra bem o peso da sobrevivência do jogo. Além disso, os diários espalhados pelo mapa dão uma baita profundidade à história, deixando você montar as peças da história no seu próprio ritmo, o que torna tudo bem mais pessoal. Só que essa imersão é quebrada toda hora por conta das instruções vagas e dos marcadores de missão confusos, que travam o ritmo do jogo. No fim, esse contraste entre um universo incrível e uma orientação ruim deixa claro o grande dilema do game: uma história que te prende do começo ao fim, mas peca na hora de entregar uma execução técnica consistente.

O personagem está em uma floresta lançando uma magia de fogo em um inimigo.
Alguns lugares entregam visuais encantadores

Em termos visuais e de desempenho, o jogo demonstra um nível de polimento notável. Durante todo o período em que joguei, desde o acesso antecipado até a versão 1.0, não enfrentei quedas de framerate nem bugs que comprometesse a experiência. Os gráficos, dentro da proposta do jogo, são encantadores: o ambiente é vibrante e a iluminação aplicada às montanhas cria cenários de tirar o fôlego. Essa consistência técnica reforça a imersão e mostra que, apesar das falhas em mecânicas e tutoriais, o título consegue entregar uma apresentação visual sólida e envolvente, capaz de sustentar a atmosfera mágica e misteriosa que define Ashenfall.

Conquiste tudo que lhe der vontade

No balanço final, RuneScape: Dragonwilds mostra-se um título ambicioso e com potencial de sobra para se tornar referência no gênero de sobrevivência. Seu mundo é vasto em escala e profundidade, e o sistema de magia brilha como o grande diferencial criativo, oferecendo variedade e impacto real à jogabilidade. O ciclo de coleta e criação, embora punitivo em modo solo, torna-se viciante assim que o jogador pega o ritmo e encontra apoio em equipe. A experiência visual e técnica entrega solidez, com gráficos vibrantes e desempenho polido que reforçam a imersão. Ainda assim, tutoriais confusos, estamina restritiva e uma frustrante progressão solitária revelam que o jogo ainda carece de ajustes. Para quem busca uma aventura cooperativa, alinhar feitiços, drenar gêiseres de energia e construir bases em grupo transforma Dragonwilds em uma jornada mágica e memorável — mas, para o lobo solitário, o título ainda precisa de refinamento para alcançar sua verdadeira grandeza.

Cópia de PC cedida pelos produtores

Revisão: Ailton Bueno

RuneScape: Dragonwilds

8

Nota Final

8.0/10

Prós

  • Multiplayer
  • Diversão
  • Conteúdo duradouro

Contras

  • Quests