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Review Trails in the Sky 2nd Chapter (PS5) – Continuando em altíssimo nível

Nota do editor: O jogo apresenta combates de turno com violência e sangue, cenas de teor sexual, consumo de substâncias, apostas em cassino e termos de baixo calão.

Após a excelente recepção do remake Trails in the Sky 1st Chapter, apenas um ano depois a Falcom entrega o mesmo tratamento para sua sequência com Trails in the Sky 2nd Chapter. Ou seja, temos mais um excelente JRPG, que se sobressai em tudo que apresenta, entre enredo, sistema de batalha, exploração, gráficos e trilha sonora.

Desenvolvimento: Nihon Falcom
Distribuição: GungHo America
Jogadores: 1 (local)
Gênero: RPG
Classificação: 14 anos (conteúdo sexual, drogas, drogas lícitas, violência)
Português: Não
Plataformas: PC, PS5, Switch, Switch 2
Duração: 40 horas (campanha)/74.5 horas (100%)

Continuação direta e imediata

Podemos trocar o líder da equipe apertando um botão
Exploramos as cidades e campos a pé com nossa equipe e às vezes algum NPC

A história de 2nd Chapter começa imediatamente após o final da primeira parte. Assim, é um pouco complicado falar detalhes sobre, já que são spoilers diretos do final do primeiro jogo. Então, sendo superficial, seguimos aqui em controle da carismática Estelle Bright, uma bracer, que são guerreiros membros de uma organização que atua para manter a ordem e proteger as pessoas. Desolada com eventos do final do primeiro jogo, Estelle é instruída por seu pai a focar em treinamento para se tornar uma bracer sênior, o que também a levará a encarar o que a aflige. É um enredo excelente, que vai te prender até o final com seus personagens cativantes.

2nd Chapter se permite ser mais direto ao ponto e aprofundar bastante personagens e acontecimentos, pois o mundo já está estabelecido, bem como diversos personagens. Jogar sem conhecer a história do primeiro é possível, mas muito será perdido, até porque o vídeo de recapitulação incluído no jogo é bem superficial. De qualquer forma, você encontrará um mundo riquíssimo em história, personagens principais e até mesmo NPCs espalhados pelos mapas, os quais é possível acompanhar a rotina e suas reações aos desenvolvimentos do decorrer do enredo, incluindo personagens que, às vezes, só interagimos uma vez ou outra no capítulo 1.

Dois sistemas de batalha

O posicionamento também influencia nas magias de recuperação
Nas batalhas por turnos, o posicionamento dos inimigos influencia em que golpe será mais eficaz

Assim como a história, a jogabilidade também leva em conta que não somos iniciantes. Claro, os personagens não são poderosos como no final de um RPG, mas já começamos com diversas habilidades e um nível maior. Basicamente, temos dois sistemas de batalha: rápido e por turnos. As batalhas rápidas são travadas em tempo real, atacando os inimigos diretamente no mapa, basicamente como um jogo de ação, sem menus. Nesse sistema, somos limitados a poucas opções de ataque e defesa, mas é bem interessante quando estamos com pressa ou para atropelar inimigos mais fracos, além de ser bem satisfatório de se jogar.

Se você quiser (ou for atacado pelo inimigo), entramos no sistema mais tradicional ao toque de um botão. E aqui a jogabilidade brilha mais ainda, com um excelente sistema que parte da base do jogo anterior e acrescenta pequenos detalhes para refinar a experiência. Além do ataque, defesa e item, podemos usar arts e crafts. Arts são como as magias, e vem dos orbs que cada personagem equipa, enquanto crafts são golpes específicos de cada personagem. Cada um tem seus usos e propriedades específicas. Podemos nos mover no campo de batalha e as ações podem atingir só um combatente ou uma área em particular, o que adiciona ainda mais camadas de estratégia. É um excelente combate, que é aprofundado pelo sistema de orbs e os equipamentos, que podem personalizar muito cada membro da equipe.

Lute, melhore, avance

Ao fim das batalhas, voltamos imediatamente à exploração
Batalhas rápidas são divertidas e uma boa forma de atravessar os mapas sem perder tempo

O jogo cria o loop que considero o ponto ideal de um RPG: passarmos um bom tempo em dungeons e corredores enfrentando monstros de força crescente, culminando em grandes batalhas contra chefes. Ao final, vamos em alguma cidade colher os frutos de nosso esforço, tornando os personagens ainda mais fortes e habilidosos para encarar os próximos desafios, além de assistir o desenrolar do enredo.

O jogo foca bastante em side quests, que no contexto do enredo também servem como os serviços que fazem com que Estelle progrida na sua jornada para se tornar uma bracer senior. Há sidequests simplórias de apenas eliminar algum monstro causando problemas, mas outras que são bem interessantes e aprofundam personagens e a terra de Liberl.

Deleite aos olhos e ouvidos

Na verdade, diria que todo bom jogo precisa um minigame de pesca
Como todo bom RPG, há um minigame de pesca

Visualmente, o game é lindíssimo, com excelentes gráficos em estilo anime. Os personagens são coloridos e até mesmo boa parte dos NPCs mais aleatórios são bem feitos e tem seu visual único. Algumas paisagens são de brilhar os olhos. A trilha sonora é outro destaque, com faixas excelentes para todos os momentos. É possível escolher entre a trilha sonora do jogo clássico ou a versão rearranjada do remake.

Se há algum problema, é que quem vem do primeiro jogo logo percebe que há inúmeros assets reaproveitados, incluindo diversas localidades inteiras (o que é muito comum na franquia, aliás). Particularmente, não me incomodo na maior parte das vezes, até porque o jogo é amarrado de forma a isso fazer sentido no contexto da história, mas fica o registro.

Constância e persistência dando resultados

Trails in the Sky 2nd Chapter não é uma obra que entrega o que um orçamento gigante de uma série como Final Fantasy proporciona em termos de produção, mas o essencial aqui é excepcional: jogabilidade primorosa dentro e fora de combate, um mundo rico e vivo e uma história que te prende até o final. É o resultado de um trabalho consistente de décadas da Falcom em construir JRPGs, sempre experimentando, aprimorando e escrevendo ótimos enredos. Talvez apenas recentemente a série pareça estar saindo mais da bolha dos aficionados do gênero, o que é muitíssimo merecido para o time.

Cópia de PS5 cedida pelos produtores

Revisão: Julio Pinheiro

Trails in the Sky 2nd Chapter

9.5

Nota final

9.5/10

Prós

  • História marcante, com ótimo personagens
  • Dois sistemas de combate divertidos
  • Visual e trilha sonora excelentes
  • Muitas missões paralelas e conteúdo a explorar

Contras

  • Elementos reaproveitados do jogo anterior