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Review Children of Morta – Apelão até umas horas

Acho que dá pra dizer que o jogo da 11 Bits Studio e da Dead Mage tem uma leve inspiraçãozinha em Diablo. Posso até chamar ele de “o Diablo 2D indie”, mas com alguns aspectos que vão afastar até mesmo os maiores fãs da franquia da Blizzard. Children of Morta é o RPG de ação roguelike com uma história envolvente e narração absurdamente boa, onde os protagonistas são todos os membros da família Bergson, moradores e guardiões da Montanha Morta (que dá nome ao jogo), cuja missão é combater o mal conhecido aqui como “Corrupção”. Durante a jornada você encontrará momentos tocantes de amor, perdas, falta de misericórdia, crescimento e vários outros sentimentos humanos que falam com o jogador.

Ano: 2019
Jogadores: 1-2 (local)
Gênero: Ação, RPG
Classificação indicativa: 10 anos
Português: Somente legendas
Plataformas: PC, PS4, Xbox One, Nintendo Switch
Duração: 13 horas (campanha) / 20 horas (100%)

Era uma vez um balanceamento

O nível das habilidades não parecem acompanhar o ritmo de progressão jogo

Vou logo começar a tacar o pau em Children of Morta, porque esse jogo é simplesmente desbalanceado! Pode dizer o que você quiser, mas é quase um consenso nos reviews da internet. Vamos dizer que existem várias “classes” de personagens com habilidades únicas que são liberadas ao longo da história, onde cada membro da família Bergson representa uma delas. Mas parece alguns deles são inúteis no combate, principalmente o filho mais novo Kevin que tem um ataque de curtíssimo alcance e imprecisão sem igual, então esquece de começar a jogar com ele sem voltar para fazer grinding nas primeiras fases do jogo. Os únicos que realmente são vantajosos de se jogar no começo são a filha mais velha e o pai. A garota usa arco e flechas, o que te dá a possibilidade de atacar de longe e evitar danos, já o pai usa uma espada e escudo, então você consegue se defender dos ataques daqueles monstros do inferno que me tiraram a minha paciência. Os outros personagens simplesmente atacam e ficam vulneráveis o tempo todo enquanto executam os ataques, o que vai te obrigar a esquivar o tempo todo rolando no chão, repetindo um padrão e, obviamente, não dá pra atacar enquanto você rola. O máximo que dá pra ser feito é usar o analógio direito para atacar numa certa direção enquanto você usa o esquerdo para ficar andando para trás no melhor estilo “moonwalk” do Michael Jackson – ok, eu sei que fui longe.

Uma das personagens mais tranquilas de se jogar com: a arqueira/filha mais velha

Isso aqui é um jogo de paciência, só faltou o baralho

O principal ponto do jogo é sua maior dor: o combate. Ele realmente não é pra qualquer um, não se adapta ao estilo de jogador, mas faz com que você tenha a obrigação de manter sempre sua coordenação entre atacar, esquivar e usar as habilidades. Precisa realmente ter muita paciência pra ficar nessa dança o tempo todo, porque eu não tive. Sua vida desce rápido demais, os inimigos são bastante injustos quando vem pra cima de você em grupo, e ainda quando tem muito monstro na tela o framerate vai pra casa do chapéu (pelo menos na versão de Switch) e você se pega jogando um belíssimo slide com cerca de 20fps/quadros por segundo. O jogo até finge que te ajuda fazendo com que inimigos e vasos espalhados pelo cenário deixem cair uma poção de cura, mas não se engane, a quantidade é minima e o quanto ela restaura de sua vida é ridículo – pior ainda é não poder guardar elas no inventário pra usar quando achar melhor AFFFFF.

A histórias te fisgam e são muito pessoais, acredite

O jogo tem suas qualidades, calma

Parece que odiei Children of Morta de tantas críticas que fiz ao jogo, mas não se engane, ele tem seus pontos a serem elogiados. A narração é épica demais, o cara de fato sabia fazer o trabalho dele, fiquei impressionado e preso nas falas. O gráfico é pixel arte e me lembra bastante jogos antigos da Lucas Arts como The Dig, mas sem perder o aspecto moderno trazendo uma animação bem fluída lindíssima com vários quadros de movimentação. A música e os sons são claramente inspirados na série Diablo, com grunhidos característicos da série e trilha sonora gótica. A história é contada de maneira interessante, e te mostra trechos aos poucos mesmo depois de uma falha ou vitória sua numa fase. Os responsáveis pelo desenvolvimento do jogo disseram que existem planos de lançar o multiplayer online – o qual espero muito que tenha crossplay para aumentar a base instalada, mas duvido -, e acredito piamente que o jogo precisa muito disso. Não é tão fácil assim reunir pessoas para jogar um multiplayer local hoje em dia, e Children of Morta carece demais de ter este recurso, porque passar por essa tensão toda sozinho não dá! O jogo não é pra todo mundo, mas aqueles que tem uma paciência de Jó (não é o meu caso) irão se divertir com a frustração – apesar da pouca recompensa pelo esforço.

Prós

  • Animações lindas
  • História envolvente
  • Variedade de personagens

Contras

  • Sem checkpoints, vida extra ou qualquer misericórdia para com o jogador
  • Single player difícil demais
  • Desbalanceamento absurdo em personagens de curto alcance
  • Grinding frustrante
  • Coop apenas local para 2 pessoas

Este review foi feito usando uma cópia cedida de ♥ pela Dead Mage