Desenvolvido pela Landfall Games, conhecida por sucessos como Peak e Content Warning, Haste: Broken Worlds é um jogo de corrida que lembra bastante Sonic, chegando agora para PC e consoles. Com visuais excelentes e uma trilha sonora incrível, o game apresenta uma experiência satisfatória, mas que poderia, com certeza, ser um pouco mais alucinante se não tivesse caído no que já chega a ser um clichê dos games independentes.
Desenvolvimento: Landfall Games
Distribuição: Landfall Games
Jogadores: 1 (local) e 1-4 (online)
Gênero: Corrida
Classificação: 6 anos (violência fantasiosa, interatividade online)
Português: Interface e legendas
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S, Switch, Switch 2
Duração: 8 horas (campanha)/20 horas (100%)
Completando fragmentos

Haste: Broken Worlds tem uma narrativa contada por diálogos de texto no decorrer da gameplay que não importa tanto, mas é situado em um universo em colapso e colocando Zoe, uma carteira, para tentar descobrir o que está acontecendo. A jogabilidade é essencialmente resumida a correr, em fases que são chamadas de fragmentos, sendo preciso completar várias dessas para progredir na campanha e entender o mistério que age como pano de fundo da experiência.
Cada um dos dez fragmentos que compõem a jornada de Zoe conta com vários níveis procedurais divididos por portais. É necessário escolher qual seguir em frente e concluí-los sem morrer para avançar, ao mesmo tempo em que se tenta obter uma boa pontuação neles, coletando moedas denominadas “faíscas” e evitando obstáculos. Explorar esses fragmentos dura cerca de 20 a 30 minutos (e esse tempo passa sem perceber!) e são as fases principais da campanha, que também possui um modo infinito e permite que o jogador salve o progresso ao longo dele.

No entanto, esses fragmentos, aos poucos, vão ficando bem repetitivos com o tempo, pois não há uma variação visual notável entre cada fase, só de obstáculos. Isso se dá porque os desenvolvedores optaram por utilizar um sistema de geração procedural para criar as fases, em vez de construir cada parte de cada fragmento à mão. Isso tem seus benefícios, claro, uma vez que dessa forma, nenhuma fase será de fato igual, mas, em compensação, o jogo perde seu frescor rapidamente — não significando que deixa de ser divertido, muito pelo contrário.
Jogabilidade sensacional

No geral, as mecânicas são responsivas. É preciso controlar Zoe pelo analógico normalmente e somente se preocupar em aterrissar corretamente, já que ela corre automaticamente e conta até com um impulso a ser utilizado dependendo da qualidade dessas quedas. Conforme se tenta finalizar os fragmentos, é possível aprimorar as habilidades da personagem principal de forma fixa, como se fosse um roguelike — é uma característica legal e que funciona, se comportando no jogo como uma boa mecânica de progressão.
Além disso, Haste: Broken Worlds oferece várias opções de dificuldade, entre modos tranquilos e outros ainda mais rápidos. O game inclui pequenos power-ups para serem comprados com as faíscas coletadas durante as fases, facilitando a gameplay com restauração da saúde da protagonista, mudanças na quantidade de faíscas no mapa, habilidades que simplificam as quedas, possibilidade de se movimentar em câmera lenta, entre muitas outras adições que criam uma jogabilidade rica em opções aleatorizadas.

Por fim, os desenvolvedores adicionaram suporte para a jogatina multiplayer, colocando literalmente até quatro Zoes em uma única partida, com todas as partes da campanha jogáveis online — porém, não há um sistema de matchmaking, sendo preciso convidar todos os jogadores manualmente. Mas, pelo menos, há compatibilidade completa com o crossplay entre todas as plataformas nas quais o jogo está disponível.
Ótimos gráficos, mas pouca clareza às vezes

Com gráficos cartunescos, Haste: Broken Worlds tem uma apresentação excelente. A versão de PC funciona bem, apesar de existir um pequeno pop-in de sombras nos mapas, que é perceptível por causa da rapidez da protagonista — o que faz o jogo ser perfeito em telas que vão além dos 60 fps, com taxas de quadros altas, porque a sensação de velocidade fica incrível. A trilha sonora do game é enérgica e divertida e combina perfeitamente com a proposta da experiência criada pelo pessoal da Landfall.
Um ponto que deixa a desejar, entretanto, é uma pequena falta de clareza no design de fases. Os mapas são consideravelmente grandes no sentido horizontal e, por mais que o objetivo seja correr, geralmente em direção ao norte de onde quer que a protagonista esteja, fica fácil se perder diante dos obstáculos. Isso acaba atrapalhando o ritmo da jogabilidade e, dependendo da quantidade de erros, força até um reinício completo no progresso de um fragmento.
Um jogo excelente
Sem apresentar uma narrativa fascinante, mas ainda assim totalmente carismático, Haste: Broken Worlds é um jogo de corrida sensacional que explora um filão surpreendentemente ignorado por muitos desenvolvedores — certamente, não há tantos games que tentam pegar a fórmula do Sonic em 3D e aplicar algumas novidades interessantes nela. Não à toa, em alguns momentos, Haste chega até a lembrar um jogo da época do Dreamcast, e não sei se existe um elogio maior que esse para um jogo. Vale demais a pena prestigiar o game apesar do design de fases não ser dos melhores, pois uma experiência arcade de qualidade sempre merece atenção.
Cópia de PC cedida pelos produtores
Revisão: Jason Ming Hong




