Ocean's Heart Capa

Review Ocean’s Heart (PC) – Um Zelda 2D atual

Antes de mais nada, acredito ser importante explicar a expressão Zeldalike, pois irá aparecer algumas vezes e tem influência direta no jogo analisado. Portanto, The Legend of Zelda foi um marco nos jogos de aventura por entregar um mundo aberto cheio de segredos, dungeons (masmorras) e itens que auxiliam nas aventuras de Link para salvar a princesa Zelda. Fora isso, os jogos 2D dessa maravilhosa franquia ainda contavam com uma câmera isométrica que muitos outros games adaptaram, criando o estilo Zeldalike.

Sinceramente, o título já exprime cerca de 75% do que será dito nessa análise, portanto, as comparações feitas com as aventuras do herói silencioso serão constantes. Ocean’s Heart é um Zeldalike demasiadamente semelhante a A Link to the Past, e com uma pitada de Breath of the Wild. Pode parecer bem estranha essa junção, mas ela será explicada mais à frente e, já que Max Mraz, o desenvolvedor do jogo, o classifica como Zeldalike, então é plausível compará-lo com as obras de sua inspiração. Sendo assim, é bom esquecer o saudosismo e ver se Ocean’s Heart merece essa classificação que foi dada.

Desenvolvimento: Max Mraz

Distribuição: Nordcurrent

Jogadores: 1 (local)

Gênero: Ação, Aventura, RPG

Classificação: Livre

Português: Interface e legendas

Plataformas: PC

Duração: Sem registros

 A maior diferença

O que separa muito os jogos já citados de Ocean’s Heart é com certeza sua história e o mundo que exploramos, pois aqui somos apresentados a locais repletos de mistérios marítimos, lendas navais e piratas históricos. Sendo assim, eu não o comparei com The Wind Waker por não possuir conhecimento sobre a obra, porém ainda seria cabível para tal.

Um monstro bem feio na primeira masmorra.

Em Ocean’s Heart não controlamos Link, mas sim Zeld… digo, Tília – ela poderia ser facilmente uma representação da princesa já conhecida. Em um dia qualquer e normal, seu pai que é dono de uma taverna pede para que ela vá buscar mais bebidas no local secreto. Após dar uma surra em monstros na primeira dungeon, um ataque pirata acontece em sua ilha, sua irmã é raptada e seu pai vai ao resgate. Tília é uma garota com espírito aventureiro, que não gosta de seguir regras e almeja servir a marinha assim como seu pai, portanto, ela não pensa duas vezes antes de ir atrás de ambos.

Infelizmente, o que seria o grande diferencial de Ocean’s Heart não é o seu ponto mais forte, uma vez que apresenta uma história rasa que pouco impulsiona o jogador a continuar com afinco e curiosidade. Por outro lado, a mitologia presente que envolve a trama e as missões secundárias são um prato cheio de surpresas e diversão. É válido dar ênfase aos diálogos, pois alguns chegam a arrancar pequenas risadas, já que Tília é durona, mas não esconde seu lado piadista e irônico, deixando a aventura mais interessante.

Um mundo novo 

Um senhorzinho bem simpático cuidando de uma balsa.
Pelo menos aqui tem serviço público de qualidade.

A franquia Zelda não é só muito conhecida pelo seu universo encantador, há também as trilhas sonoras incrivelmente maravilhosas e um mundo cheio de segredos com suas dungeons, algo que se mantém por partes em Ocean’s Heart. Os gráficos com certeza são bonitos, contendo uma pixel art dinâmica bem expressiva, porém os dois pontos citados anteriormente me chamaram maior atenção devido suas peculiaridades, sendo assim será dado maior enfoque sobre eles.

Começando pelas nossas companheiras de sempre: as músicas. Elas não mantêm uma consistência boa, algumas são extremamente envolventes e demonstram que tal local é importante, já outras só faltam fazer dormir. Por exemplo, um templo esquecido no meio do mar traz uma sonoridade implacável de mistério, mas também de advertência ao explorá-lo. Em contrapartida, em Calcário, a ilha em que Tília mora, há uma melodia que expressa calma até demais, onde só faltava os próprios moradores dormirem durante o jogo.

Agora sim algo extremamente positivo para Ocean’s Heart e que merece uma parabenização própria. O mundo é grande, com inúmeros mistérios em que cada nova passagem por ali traz uma nova descoberta, desde deuses escondidos até novas dungeons. Essas que divergem bem, podendo encontrar apenas um baú ou a entrada para uma maior e outras que são constituídas de mais segredos, desafios e, às vezes, um chefe. Tendo isso em vista, explorar é fundamental para encontrar novos corações, ferramentas e até poderes especiais, mas algumas dessas descobertas são atreladas às missões secundárias.

Explicando as semelhanças 

Um antigo herói dentro de um poço.

As maiores semelhanças aos jogos já citados são algumas mecânicas conhecidas. O sistema de criar poções com partes de monstros e plantas foi inserido em Breath of the Wild em que cada cidade possui um local em que as poções podem ser produzidas. Ainda há a possibilidade de melhorar as armas encontrando um item específico e comprar novas armaduras, aumentando a defesa e o ataque de Tília. Por mais que não sejam tão complexas, essas mecânicas são objetivas e recompensam o jogador pela sua curiosidade, o auxiliando do começo ao fim.

Outro ponto semelhante, mas que eu apenas citei de maneira rasa, são as missões secundárias. Elas variam entre pegar um item, derrotar monstros ou encontrar locais pelo mapa. Mesmo que pareçam simples, essas missões são bem recompensadas e é possível encontrar utensílios durante sua execução. Mas há um porém, pois é muito fácil se perder pelo caminho já que não há algo que indique onde se deve ir, tudo é indicado por direções do tipo “vá para noroeste de certo local” ou “ao sudoeste de minha casa”, tendo que colocar as aulas de geografia em prática.

Uma mesa para preparo de poções.

Certamente alguns ataques de Tília e certas animações são claras referências a A Link to the Past, em que, assim como Link, Tília também começa sua aventura levantando de sua cama logo após o chamado de seu pai. Outra grande semelhança são as animações, pois ambas possuem a mesma reação ao cair e ao pegar um item novo. Os ataques também não escapam, pois até o especial que é realizado ao segurar o botão de ataque está incluso em Ocean’s Heart, assim como as cambalhotas feitas para “ir mais rápido”.

Tília levantando uma espada recém adquirida ao estilo Link.
Eu já vi isso em algum lugar.

Mesmo com tais semelhanças apontadas, Ocean’s Heart possui suas singularidades, mas que são facilmente ocultas pelas familiaridades já listadas. Vale ressaltar também que alguns problemas foram encontrados, como duas vezes em que Tília ficou presa em objetos e foi necessário reiniciar o jogo. Também há ocorrências de quedas de quadros quando muitas explosões acontecem ou de dungeons que possuem partes semelhantes a jogos de plataforma que, por sinal, são bem frustrantes, pois Tília parece escorregar em beiradas, fazendo um pulo indesejado.

Um jogo para todos 

Um momento bem frustrante em que Tília fica presa.
Não me pergunte como ela foi parar ali.

Ocean’s Heart possui mecânicas mais simples e entrega uma experiência análoga às aventuras de Link, no entanto erra em fatores fundamentais como a trilha sonora e a história que permeia a aventura. Visando os que desconhecem a franquia ou que nunca jogaram um Zelda na vida, Ocean’s Heart é um belo convite de entrada. Contudo, os fãs de longa data podem encontrar dificuldades em gostar do jogo, sendo necessário esquecer o saudosismo e cair de cabeça no seu mundo. Levando em consideração que, mesmo possuindo muitas semelhanças, Ocean’s Heart não é uma cópia, ele ainda contempla singularidades como um mundo que sempre surpreende, uma mitologia legal e missões secundárias cativantes, o fazendo um bom game do estilo Zeldalike.

Cópia de PC cedida pelos produtores

Revisão: Jason Ming Hong

Ocean's Heart

7.5

Nota final

7.5/10

Prós

  • Mundo denso e misterioso
  • Personagens carismáticos
  • Direção de arte expressiva
  • Missões secundárias ótimas

Contras

  • História principal rasa
  • Trilha sonora inconsistente
  • Problemas com quedas de quadros
  • Cantos que prendem a personagem