SoulQuest é um jogo de ação 2D em plataforma inspirado na mitologia celta. Você controla Alys, uma guerreira que embarca em uma jornada para reviver seu marido e, para isso, deve destruir deuses utilizando sua espada, algumas magias e uma grande variedade de combos e golpes aéreos.
Desenvolvimento: SoulBlade Studio LLC, TomasJPereyra
Distribuição: indie.io
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação
Classificação: Pendente
Português: Legendas e interface
Plataformas: PC
Duração: 7 horas (campanha)
Primórdios dos indies

No prólogo de SoulQuest, o marido da guerreira Alys é morto em combate. Pouco depois, ela descobre que é possível trazê-lo de volta ao mundo dos vivos, mas para isso deve vencer a deusa da morte e, no caminho, encarar ainda outros deuses. Com esse plano de fundo, partimos numa série de fases para enfrentar deuses celtas e recuperar a alma do amado de Alys.
SoulQuest é um jogo de ação 2D em plataforma que se assemelha bastante a um hack n’ slash. Aliás, o jogo não disfarça o que tenta ser: uma versão plataforma de Devil May Cry. Isso fica explícito em alguns golpes de Alys e também no sistema e na fonte do ranqueamento. A personagem conta com sua espada e outros movimentos básicos, como pulos e dashes. Com a espada, Alys possui botões para golpe forte e fraco e diversas combinações deles existem para gerar diferentes combos.
Temos Devil May Cry em casa

O game é dividido em fases fechadas, cada qual com seu ranque no final (também semelhante a DMC). A cada cerca de cinco fases, encontramos um chefe e partimos então para um novo bioma, onde são apresentados novos inimigos e outros elementos, como armadilhas e mecânicas de movimento. Nos checkpoints das fases e entre uma e outra, podemos ir para a área onde podemos selecionar fases e, principalmente, adquirir novas habilidades e melhorar os atributos de Alys.
As habilidades envolvem movimentos básicos, como dash e pulo duplo (o que me parece algo que deveria ser liberado organicamente durante a campanha) e novos combos. O jogo foca bastante em combos aéreos, com a personagem podendo passar um tempo considerável sem tocar no chão e seguir atacando os adversários. Inimigos esses que podem ficar sem estamina e então suscetíveis a longos combos aéreos, enquanto você for capaz.
Nada sensacional, mas diverte

A sensação de desferir os golpes é boa e você vai querer avançar e vencer mais inimigos. O sistema de combate, ainda que nada incrível, é bacana e pode empolgar. Você vai encaixando os diversos combos no seu repertório à medida que pega mais experiência com o sistema e o comportamento dos inimigos.
Mas esse sistema, por si só, não é capaz de tornar o jogo uma experiência muito acima da média. O problema da jogabilidade acaba estando em outros fatores, que comprometem a diversão em geral. O principal é a repetitividade: há poucos inimigos, com um ou outro novo adicionado a cada ambiente, mas sempre com as mesmas poucas funções, como um monstro leve, um pesado e um voador.
Outro problema de SoulQuest é o level design, que é limitado. As fases consistem basicamente em andar, encontrar uma série de inimigos, vencê-los para seguir adiante, e repetir. Nas fases mais avançadas, há algumas partes mais focadas em plataforma, mas não são muito bem elaboradas e nem trazem desafios engajantes.
Sistema bom, mas repetitivo

Juntando com a questão da pouca variedade de inimigos, temos uma sensação ainda maior de repetitividade. Há alguns desafios escondidos e um segredo ou outro para ser encontrado, mas nada que expanda a experiência de forma significativa. E o sistema tem brechas: há desafios que você pode repetir quantas vezes quiser, sendo possível acumular dinheiro facilmente e distorcer a experiência de progressão almejada pelos desenvolvedores. Também é possível se aproveitar de uma falha de design no combate, pois você consegue vencer boa parte dos encontros e dos chefes apenas carregando o golpe forte e o soltando à distância.
A tradução brasileira do jogo tem alguns problemas. Não chega ao nível de aparentar ter sido feita por algum tradutor automático, mas dá pra ver vários trechos em que faltou uma revisão, além de algumas letras “n” jogadas aleatoriamente em certas partes do texto, o que quem conhece programação logo percebe que deveriam ser linhas puladas. A dificuldade do jogo no nível normal também pode incomodar um pouco, mais pela irregularidade de distribuição dos checkpoints do que pelos combates em si, mas não chega a tornar a experiência desagradável.
Bom para distribuir espadadas
SoulQuest é um game com uma boa intenção e uma ótima execução em seu sistema de combate, mas alguns problemas estruturais nos outros componentes que completam o jogo limitam a experiência. Apesar disso, ainda é um jogo divertido, recomendado para fãs de hack n’ slash e de ação em plataforma, em uma abordagem não tão tradicional e com uma bonita pixel art.
Cópia de PC cedida pelos produtores
Revisão: Julio Pinheiro




