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Review Super Meat Boy 3D (Switch 2) – Nova dimensão, mesmo nível de desafio

Super Meat Boy 3D é exatamente o que o seu nome sugere: uma versão tridimensional do clássico indie. O game se mantém fiel ao original em praticamente todos os aspectos da jogabilidade, visual e estética, mas a transição para o 3D traz alguns problemas junto.

Desenvolvimento: Team Meat, Slugger Fly
Distribuição: Headup Games
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Ação
Classificação: 12 anos (violência, temas sensíveis)
Português: Legendas e interface
Plataformas: PC, PS5, Switch 2, Xbox Series X|S
Duração: 5 horas (campanha)

Primórdios dos indies

Essas plataformas são difíceis de se arrastar dependendo do ângulo
O clássico rastro do sangue do Meat Boy segue presente

Lançado em 2010, Super Meat Boy foi um dos primeiros indies de grande importância, ajudando a abrir caminho para a enorme quantidade de títulos e estúdios independentes que temos hoje. O sucesso não foi à toa: o game é extremamente divertido, com uma proposta visual maluca, mas cativante, e uma gameplay fluida e viciante. Após uma sequência de jogabilidade semelhante em Super Meat Boy Forever, agora damos um salto mais longo ao transpor a aventura para três dimensões.

Controlamos novamente o menino feito de carne viva, Meat Boy, em uma jornada para salvar sua namorada. A jogabilidade de Super Meat Boy 3D também tem a mesma premissa do original: fases curtas e rápidas, onde seu objetivo é apenas correr e chegar no final no menor tempo possível. Mas o que marca é o design das fases: frenéticas, com incontáveis armadilhas que pedem por pulos precisos e muitas, muitas chances de morrer das mais diversas formas imagináveis.

Jogabilidade familiar

Você pode contemplar suas tentativas ou seguir logo para a próxima fase
Ao vencer uma fase, o replay de suas tentativas é apresentado simultaneamente

O game é dividido em mundos com 15 fases e um chefe cada. As fases podem ser selecionadas no mapa ou você pode apenas ir diretamente de uma fase concluída para a próxima e só ver o mapa entre um mundo e outro. Possivelmente, é isso que você fará caso queira apenas vencer as fases e seguir em diante, sem retornar para melhorar seu desempenho nas fases anteriores. Em cada fase, também há um curativo para se coletar, que são usados para liberar novos personagens.

O Meat Boy corre, pula, faz um dash aéreo e pode pular em paredes e se arrastar nelas. Com essas poucas ações, o game vai te desafiar com as mais variadas armadilhas, plataformas e maneiras cruéis do personagem morrer. Algumas fases tem momentos que permitem um descanso, mas a maioria é desenhada de forma que você precisa agir de forma rápida e contínua. Ao morrer, você volta ao início da fase de forma quase instantânea, sendo instigado a tentar novamente sem pensar muito. E toda fase também pode ser jogada na sua versão mundo sombrio, onde tudo fica ainda pior.

Uma nova dimensão não tão bem encaixada

Mesmo assim, são um desafio ainda maior e podem precisar inúmeras tentativas para vencer
Chefes são legais, mas são uma questão de decorar os movimentos

Ou seja, para quem conhece o primeiro game, vai ter uma sensação bastante familiar aqui. O jogo é essencialmente uma transição para 3D do que o jogo original fazia, com certa inspiração em termos de câmera em Super Mario 3D Land e 3D World. Mas aqui temos alguns problemas, pois em vários momentos é difícil controlar bem o personagem em profundidade. Também é comum confundir as direções, principalmente dos pulos no sentido das paredes. Enquanto você está no ar, há um indicador que mostra a posição do personagem em relação ao chão, o que é de certa ajuda, mas em vários momentos, é inviável de se observar, dada a rapidez de toda a ação.

Você pode ir melhorando ao longo das fases e vai aos poucos se adaptando, principalmente após várias repetições em uma mesma fase, mas no geral, fica a impressão de que faltou algo para o jogo ser tão direto e intuitivo quanto a versão original em 2D. O game é difícil por definição, mas você pode ignorar a coleta dos curativos e os tempos para alcançar o tempo definido como meta pelo jogo. Então, apesar de não haver uma facilitação, o game proporciona um nível de desafio ainda maior para quem quiser testar suas habilidades ao máximo.

Chefes não são exatamente chefes

É possível jogar com personagens que não deixam o sangue no cenário
Quantidade e variedade de armadilhas só aumenta à medida que avançamos na campanha

Ao final das 15 fases de cada um dos cinco mundos, você libera o chefe, que é um pouco diferente: ao invés de chegar ao final, você deve sobreviver seus ataques por determinado tempo até vencer. O problema dos chefes é que eles se comportam sempre da mesma forma. Assim, essas partes acabam se tornando questão de decorar os padrões dos ataques e armadilhas e repeti-los até conseguir vencer. Também são partes legais e desafiadoras, mas fica a sensação de que estamos apenas repetindo ações mecanicamente ao invés de realmente enfrentar um chefão. 

Visualmente, o jogo é bastante bonito e com arte por vezes macabra, como a temática pede. As músicas são ótimas e dão o clima para a jogabilidade insana. O desempenho é bom no Switch 2, mas devido às características do game, com o personagem sendo pequeno e exigindo movimentação precisa, considerei que é razoavelmente melhor jogar na televisão. De qualquer forma, se estiver disposto a encarar o desafio, a diversão é garantida.

Espalhe seu sangue por aí

Super Meat Boy 3D é um jogo de plataforma e ação diferente do que vemos por aí. O destaque são fases curtíssimas, que você termina em alguns segundos – depois de passar muitos e muitos minutos aperfeiçoando cada movimento e morrendo dezenas de vezes. Talvez não supere o original, mas também é bastante divertido.

Cópia de Switch 2 cedida pelos produtores

Revisão: Julio Pinheiro

Super Meat Boy 3D

8

Nota final

8.0/10

Prós

  • Jogabilidade frenética e desafiadora
  • Traduz a sensação do jogo original para três dimensões
  • Boa quantidade e variedade de fases

Contras

  • Em vários momentos é difícil se adaptar à profundidade
  • Chefes são previsíveis