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Revisitando inFAMOUS Second Son (PS4) – Às vezes, o jogo só funciona na sua época

Durante muitos anos, ouvi falar muito bem da franquia inFAMOUS, mas nunca havia jogado nenhum de seus títulos. inFAMOUS Second Son acabou sendo meu primeiro contato com a série e, por se tratar de um dos primeiros grandes exclusivos do PlayStation 4, cheguei à campanha esperando encontrar uma experiência marcante em terceira pessoa, com uma proposta que se assemelhava bastante à de um jogo de super-herói. No entanto, o jogo nunca me pegou de fato.

Desenvolvimento: Sucker Punch

Distribuição: Sony Interactive Entertainment

Jogadores: 1 (local)

Gênero: Ação

Classificação: 16 anos (atos criminosos, conteúdo sexual, violência)

Português: Dublagem, legendas e interface

Plataformas: PS4

Duração: 10 horas (campanha)/15 horas (100%)

Personagens sem conexão

Pronto para explodir seus inimigos

Em inFAMOUS Second Son, jogamos com Delsin Rowe, um condutor de energia que assume o papel principal com uma personalidade descontraída e cheia de ironias. A proposta funciona em alguns momentos, mas nunca foi suficiente para criar uma conexão comigo. Em vez de acompanhar um personagem cuja evolução desperta curiosidade, passei boa parte da campanha apenas seguindo os acontecimentos sem muito envolvimento.

O restante do elenco sofre do mesmo problema. Alguns personagens apresentam boas ideias, mas o roteiro não dedica tempo suficiente para desenvolvê-los. Como consequência, vários acontecimentos importantes acabam perdendo impacto justamente porque faltam vínculos emocionais entre o jogador e os personagens.

Uma direção de arte bonita… quando conseguia apreciá-la

Parece que é noite, mas ainda é um fim da tarde

Visualmente, inFAMOUS Second Son ainda impressiona em diversos momentos. Os efeitos de partículas continuam muito bonitos, e a estética baseada em neon certamente representa o ponto alto da direção de arte. Quando Delsin utiliza esse poder para atravessar Seattle ou durante alguns combates, o jogo entrega cenas bastante chamativas.

Ao mesmo tempo, uma decisão artística me incomodou do começo ao fim: a iluminação. Mesmo durante missões realizadas em plena luz do dia, o jogo transmite uma sensação constante de escuridão. Em vários momentos, tive dificuldade para enxergar detalhes dos cenários e identificar alguns elementos importantes da exploração. O contraste criado pelos efeitos de neon gera imagens bonitas, mas também deixava vários ambientes escuros além do necessário. Para mim, isso acabou prejudicando a experiência mais do que ajudou.

Poderes divertidos, mas repetitivos

 A direção artítica estava inspirada

Os diferentes poderes representam a grande estrela da jogabilidade. Controlar fumaça, neon e concreto muda a forma de explorar a cidade de forma horizontal e vertical, e enfrentar os inimigos, garantindo uma boa variedade nas habilidades disponíveis. 

O problema aparece quando a novidade passa. Depois das primeiras horas, o combate entra em um ritmo bastante previsível e raramente exige estratégias diferentes. A exploração também sofre com atividades repetidas, que transformam a limpeza dos distritos em uma sequência de tarefas muito parecidas entre si — e eu tive paciência pra fazer pouquíssimas, admito. Existe conteúdo suficiente para preencher o mapa, mas boa parte dele parece existir apenas para aumentar artificialmente o tempo de jogo.

Fui com a expectativa errada

Tramas que são mal aproveitadas

Existe um sistema de moralidade que permite que Delsin siga o caminho do herói ou do vilão durante a campanha. A ideia continua interessante no papel, porém sua execução não me convenceu. Não senti que as decisões mudaram de forma significativa a história e eu não consigo enxergar alguém que tenha decidido se tornar vilão aqui. 

Sempre coloquei o pé no chão sobre esse jogo, pois nunca pensei que veria algo no nível de Spider-Man da Insomniac (que seria lançado somente anos depois). Mas em 2014, o mesmo ano de lançamento desse inFAMOUS, existia um jogo muito divertido no lado verde da concorrência que era o Sunset Overdrive e eu achei que iria encontrar algo parecido em Second Son. Apesar de claramente serem jogos diferentes, me deparei com algo bem inferior. 

Um exclusivo competente, mas esquecível

Um show de luzes na sua tela

É curioso perceber que inFAMOUS Second Son dificilmente faz algo realmente ruim. A movimentação funciona muito bem, os poderes garantem momentos divertidos e a direção de arte apresenta personalidade própria. Ainda assim, nenhum desses elementos conseguiu despertar meu interesse por tempo suficiente.

A narrativa nunca me envolveu, os personagens passaram longe de serem memoráveis e a estrutura repetitiva começou a pesar antes muito antes do encerramento da campanha. Até mesmo a iluminação excessivamente escura acabou atrapalhando minha experiência em diversos momentos. No fim, eu continuava jogando muito mais para concluir a história do que pela vontade de descobrir o próximo capítulo.

Talvez a nostalgia tenha pesado

Para quem nunca experimentou inFAMOUS Second Son, acredito que ainda exista espaço para uma oportunidade, principalmente se o interesse estiver na jogabilidade baseada em superpoderes e nos belos efeitos visuais. E realmente há muitos fãs desse jogo por aí — então, talvez eu seja uma exceção. Mas lembrando: não achei a experiência péssima, só esperava mais. 

Cópia de PS4 adquirada pelo autor

Revisão: Julio Pinheiro

inFAMOUS: Second Son

6

Nota Final

6.0/10

Prós

  • Direção artística
  • Boa jogabilidade

Contras

  • Personagens sem carisma
  • Repetitivo
  • Cenários muito escuros mesmo à luz do dia