Lançado em 2022, Diablo Immortal é o resultado de uma parceria entre a Blizzard e a gigante chinesa NetEase que visa levar a série que define os RPGs de ação e hack ‘n’ slash para os celulares. Disponível também para computadores, o game apresenta uma encarnação mais limitada da franquia, que até diverte e pode agir como uma porta de entrada para novos fãs dos jogos originais, mas fica um aviso: a monetização excessiva pode assustar qualquer um.
Desenvolvimento: Blizzard Entertainment, NetEase Games
Distribuição: Blizzard Entertainment
Jogadores: 1-4 (online)
Gênero: RPG, Ação
Classificação: 18 anos (violência, languagem inapropriada, compras online)
Português: Interface e legendas
Plataformas: PC, Android, iOS
Duração: 27 horas (campanha)/47 horas (100%)
Santuário em qualquer lugar

Nos últimos anos, estamos vendo lançamentos para celular com um escopo relativamente impressionante para a plataforma, bastante comparáveis aos grandes jogos tradicionais que são lançados para PC e consoles. Por isso, Diablo Immortal é uma experiência completa que segue muito do estilo da franquia, mas de uma maneira consideravelmente mais superficial por conta da natureza da plataforma e das decisões de design que um jogo portátil precisa ter para funcionar nesse formato. Ainda assim, esse é um MMO completo, com um mapa enorme — e, por isso, não há nenhum modo offline, embora o RPG possa ser jogado sozinho, em modo solo.
Quase tudo que é característico da série Diablo está presente nesse game, como a história, que segue a mesma temática de fantasia sombria no mundo de Santuário. A trama se passa no período canônico entre Diablo II: Lord of Destruction, expansão narrativa lançada em 2001, e Diablo III, de 2012, retratando os acontecimentos após a destruição da Pedra do Mundo e o estado de Santuário duas décadas antes dos eventos do terceiro jogo.
No PC e no celular

Como o título é multiplataforma, a jogabilidade precisa funcionar com três métodos de entrada diferentes: mouse e teclado, controles tradicionais e telas de toque. Então, a gameplay acaba sendo nivelada para baixo, e tudo é mais simplificado. O personagem jogável tem habilidades e ataques primários ativados pelos toques na tela ou pelo numpad do teclado, mas não há um sistema de mana. As skills contam só com um pequeno cooldown de alguns segundos, e há outras facilidades, como uma navegação automática pelo mapa. Existem, ao todo, 10 classes distintas, sendo possível alternar entre elas num mesmo personagem de tempos em tempos — é uma novidade bem interessante para a franquia, já que não tem como realizar essa troca nem no Diablo IV.
O game tem uma progressão única e compartilhada entre múltiplos dispositivos, podendo usar uma conta da Battle.net para jogar com o mesmo personagem no celular e no computador. As configurações gráficas são bem maleáveis, então, no mínimo, as texturas não têm detalhes e o mapa mal é iluminado direito. No ultra, os visuais são bonitos e superiores ao Diablo III, mas longe de estar na mesma qualidade técnica do título mais recente da série, claro.

A versão para celular, a propósito, funciona melhor que a de PC, embora o desempenho em um dispositivo intermediário só seja satisfatório depois que o jogo termina de instalar todos os seus arquivos. O conteúdo completo é pesado em termos de armazenamento, mas isso pode ser amenizado com a possibilidade de baixar apenas fases específicas do RPG — que proporciona uma experiência altamente casual no mobile, já que os controles por toque contam com até uma mira que acerta os alvos automaticamente.
Prepare a carteira

A principal mudança de Diablo Immortal em relação aos outros games da série é que esse título vai fundo em um modelo “free to play”. A franquia Diablo, desde o lançamento do terceiro jogo, vem utilizando métodos de monetização que vão além da compra do jogo e de suas expansões (como a já desativada Casa de Leilões), mas nada do que já foi feito antes está no nível desse jogo, focado mais do que tudo em extrair o máximo de dinheiro possível de seus jogadores — e de uma forma poluída e confusa.
São tantas as formas de se gastar dinheiro em Diablo Immortal que é até fácil de se perder nessa parte do jogo. Existem recompensas diárias gratuitas para quem logar no RPG todos os dias, havendo também uma forma de se comprar essas recompensas. Há passes de batalha em vários formatos e valores (entre R$ 27 e R$ 84), que liberam itens conforme o progresso na temporada, itens cosméticos em diferentes versões (cada uma com seu preço), moedas para comprar esses itens e até formas de melhorar o personagem sem ter que efetivamente jogar.

Ou seja, caso não queira grindar por muito tempo, dá para progredir na base do Pix para os desenvolvedores, na compra de itens aleatórios que contêm chances pequenas de melhorar determinados atributos. Então, enquanto Diablo Immortal oferece até uma boa gameplay considerando que é um game mobile, há essa monetização injusta, no formato “pay to win”, já que existem modos competitivos dentro do jogo.
Tem seu valor até
Como um jogo casual no celular, Diablo Immortal chega a ser um entretenimento legal até com suas frustrações em mente. Os produtores fizeram um bom trabalho na criação do mapa e a adaptação das mecânicas para os controles de toque funciona razoavelmente bem, apesar da gameplay ser muito mais simplificada do que deveria ser. No PC, essa não é a versão mais recomendada da série, já que há outros títulos disponíveis na plataforma que oferecem a profundidade na jogabilidade pela qual a franquia é conhecida. O problema é a monetização — os desenvolvedores pesaram a mão nela, atrapalhando o ritmo da aventura para quem não tem tanta disposição para gastar um dinheirão dentro do game.
Cópia de PC cedida pelos produtores
Revisão: Jason Ming Hong




