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Review Lords of the Fallen: Version 2.5 (Xbox Series X) – Dois mundos, uma só alma

Enquanto a versão 2.0 de Lords of the Fallen foi o “renascimento” focado em acessibilidade e qualidade de vida, a 2.5 lançada no final de 2025 como o “Update Final” focou em elevar o teto de dificuldade e refinar a inteligência do combate. Ambas foram atualizações substanciais que buscam consolidar o jogo como uma experiência soulslike madura, adicionando recursos pedidos pela comunidade e refinando sistemas centrais de jogo. A atualização foi lançada em 2025 e trouxe mudanças de desempenho, melhorias no combate e novidades no modo em multiplayer que alteram de forma perceptível a dinâmica da experiência solo e cooperativa 

Desenvolvimento: Hexworks
Distribuição: CI Games
Jogadores: 1 (local) e 1-3 (online)
Gênero: Ação, Aventura
Classificação: 18 anos (violência extrema, sangue animado, nudez parcial, medo)
Português: interface e legendas
Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S
Duração: 29 horas (campanha)/99 horas (100%)

A fantasia de dois mundos

A mecânica que marca o jogo é a construção de dois mundos sobrepostos que podem ser visitados a qualquer momento.

Lords of the Fallen de 2023 nasceu como um recomeço ambicioso da marca. A proposta era não só atualizar a fórmula soulslike, mas dar ao jogo uma identidade própria, mais moderna e técnica, sem perder a alma sombria que o gênero pede. 

No coração do jogo está a ideia de mundo duplo: uma realidade material e uma dimensão sombria que se entrelaçam, criando rotas, segredos e mecânicas que afetam tanto a exploração quanto o combate. Essa duplicidade foi pensada como parte da fantasia e da jogabilidade, oferecendo camadas de significado nas rotas e nos encontros que você enfrenta. A mitologia de Lords of the Fallen mistura elementos clássicos de fantasia sombria com história própria: reinos caídos, deuses ausentes, guerreiros marcados pelo destino e artefatos que mudam a lei do jogo. A história é espalhada por descrições de itens, inimigos e locais, e convida o jogador a juntar peças, como se estivesse montando um quebra-cabeça antigo.

Várias mecânicas foram criadas para reforçar a história: troca entre planos, objetos que alteram as regras locais e inimigos que parecem nascer da própria narrativa do lugar. Isso faz com que explorar seja uma forma de ler o mundo, e não só de farmar loot — você precisa prestar atenção para entender por que aquele monstro existe ali e o que aquilo diz sobre a queda do reino.

Mundo e atmosfera reimaginados

Chefes gigantescos são característicos de jogos soulslikes.

A atualização 2.5 foca no endurecimento do combate com seu modo “Veterano”, com alterações nas janelas de invulnerabilidade, animações de impacto e no balanceamento de inimigos e chefes. O resultado é um combate mais intenso, mas com bem menos mortes frustrantes por acertos “injustos”, ao mesmo tempo que eleva a necessidade de leitura de postura e espaçamento.

O jogo ainda mantém o DNA de um soulslike, mas introduz ajustes que tornam o desafio mais previsível e menos dependente de picos abruptos de dificuldade. Jogadores veteranos ainda encontrarão desafios, enquanto novatos perceberão uma progressão mais suave, sem perda de identidade. Enquanto isso, o sistema de evolução do personagem foi levemente rebalanceado para favorecer escolhas significativas entre builds físicas, mágicas e híbridas, com equipamentos reposicionados para apoiar estilos variados.

Outra característica do gênero é a "fogueira" para descansar, melhorar seu personagem e realizar outras interações.

A versão 2.0 introduziu um modo cooperativo com progresso compartilhado e o “Passe Grátis de Amizade”, que permite convidar amigos para jogar mesmo sem possuírem o jogo, transformando encontros cooperativos em experiências naturalmente integradas à campanha principal. Essa decisão amplia o apelo social do jogo e reduz barreiras para cooperação, funcionando como diferencial em relação a muitos títulos do gênero, que mantêm o coop como algo separado e sem sincronização de progressão. Porém, mesmo com um coop avançado, as ferramentas sociais dentro do jogo poderiam ser mais robustas para facilitar a organização de sessões entre jogadores, algo que concorrentes já investem mais profundamente. A mecânica de reviver aliados e sincronia de tesouros fazem com que jogar em grupo seja realmente recompensador e coeso.

Os controles receberam pequenas melhorias de resposta, com ajustes nas animações que reduzem a sensação de lentidão ao alternar entre armas e habilidades. A interface foi refinada para exibir estatísticas e descrições de forma mais direta, facilitando decisões de build. Ainda existem pontos em que os mapeamentos poderiam ser mais permissivos para acessibilidade de jogadores com preferências distintas, uma área que merece atenção futura.

Charme em muitos momentos

Muitas melhorias vieram com a atualização 2.0 do jogo.

A identidade sombria de Mournstead permanece intacta, com o mundo exibindo maior coerência ambiental e pontos de interesse melhor conectados entre si. Os desenvolvedores aproveitaram o lançamento da versão 2.0 para realizar ajustes visuais e correções de iluminação que reforçam a sensação de perigo constante sem tirar a clareza necessária para exploração. Esses refinamentos ocupam o espaço entre embelezamento técnico e a legibilidade do design de fases, tornando a exploração mais gratificante para quem aprecia leitura de ambientes e rotas alternativas.

A atualização trouxe melhorias visuais notáveis: efeitos de partículas refinadas, sombras mais estáveis e detalhes de textura aprimorados em ambientes e armaduras. Esses incrementos elevam a estética gótica sem sacrificar a legibilidade em confrontos mais caóticos. No entanto, apesar das otimizações resultarem em carregamentos mais rápidos e uma taxa de quadros mais estável em grandes trechos, certos pontos ainda apresentam travamentos e quedas que precisam de correções adicionais para se equiparar ao restante do jogo.

Chefes impressionantes requerem muito esforço, tentativas e aprendizado para serem derrotados.

A trilha sonora continua a construir a tensão de forma elegante, com composições orquestradas que realçam momentos de exploração e combate sem se sobrepor à ação. Efeitos sonoros para impacto de armas, passos e ambientes gotejantes contribuem para a imersão sensorial. A mixagem foi otimizada para priorizar clareza nos momentos de combate múltiplo, ajudando o jogador a identificar indicadores sonoros de inimigos e ataques especiais, um ganho tangível em jogabilidade reativa.

Um novo renascimento?

A versão 2.5 de Lords of the Fallen, tida como o último update do jogo, é uma atualização que transforma o jogo em uma experiência muito mais completa com melhorias concretas em combate, progressão e apresentação visual. Ainda que problemas de performance residuais e decisões de design menos inspiradas persistam, a direção tomada demonstra compromisso da desenvolvedora em ouvir a comunidade e elevar o padrão do título. Se você curte desafios justos, coop que faz sentido e um mundo que conta suas histórias através da poeira e do silêncio, vale a pena entrar nessa estrada de novo. Mas se você é do tipo que exige perfeição técnica irrepreensível no primeiro encontro, talvez espere mais um ou dois patches.

Cópia de Xbox Series X adquirida pelo autor
Revisão: Júlio Pinheiro

Lords of the Fallen

8

Nota Final

8.0/10

Prós

  • Adição do “Passe Grátis de Amizade”
  • Progressão compartilhada no coop
  • Variedade de builds

Contras

  • Problemas de performance
  • Interface social limitada