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Review The Mound: Omen of Cthulhu (Xbox Series X) – Um mergulho na loucura do Novo Mundo

A ACE Team sempre foi um estúdio conhecido por sua excentricidade, entregando experiências visuais bizarras e únicas como Zeno Clash e Rock of Ages. Contudo, com The Mound: Omen of Cthulhu, os desenvolvedores abandonam o humor surreal para abraçar a opressão absoluta do horror cósmico. Ambientado no século XVII, o jogo propõe uma mistura densa de terror cooperativo em primeira pessoa com elementos de sobrevivência e gestão de recursos. Mas será que a busca por tesouros inestimáveis em uma selva amaldiçoada justifica o sacrifício da própria sanidade, ou o título acaba se perdendo nos próprios tentáculos de suas ambições? 

Desenvolvimento: ACE Team
Distribuição: Nacon
Jogadores: 1 a 4 (online)
Gênero: Ação, Aventura
Classificação: 18 anos (violência extrema, linguagem imprópria)
Português: Interface e legendas
Plataformas: PC, PS5 e Xbox Series X|S
Duração: Sem registros

O ciclo da maldição 

O navio é o único lugar seguro nessas terras inexploradas.

O coração de The Mound: Omen of Cthulhu bate em um ritmo de expedições punitivas e cíclicas. A jornada de até quatro jogadores começa sempre a bordo de um galeão ancorado, que funciona como o hub central do esquadrão. É aqui que o grupo assina contratos, seleciona meticulosamente seus equipamentos e decide qual dos mapas desenhados à mão será o alvo da exploração. A premissa básica é direta: adentrar as profundezas da selva, coletar artefatos, encontrar diários de bordo para desbloquear novos pontos de partida e, crucialmente, retornar com vida.

No lançamento, o jogo disponibiliza quatro personagens jogáveis: Alonso de la Torre, Leonor, Don Rodrigo de Medina e Fray Gaspar. Todos compartilham as mesmas mecânicas e a mesma fragilidade perante os perigos da selva, tornando a escolha puramente estética e voltada para o roleplay. A gestão de recursos é brutal. O inventário é minúsculo, forçando decisões táticas difíceis logo nos primeiros minutos. Se um jogador decidir carregar um mosquete, munição, uma lâmina para defesa corpo a corpo e itens de cura, praticamente não sobrará espaço para o loot, que é a razão central da expedição. Essa mecânica transforma a comunicação e a divisão de papéis em obrigações de sobrevivência, um prato cheio para quem aprecia loops de jogabilidade onde o planejamento estratégico dita as regras antes mesmo do primeiro tiro ser disparado.

Não confie nos seus próprios olhos 

Criaturas perseguem os mais incautos.

O verdadeiro divisor de águas que eleva The Mound em um mar de jogos cooperativos é o seu “Sistema de Insanidade”. Inspirado livremente no conto “O Monte”, de H.P. Lovecraft, o jogo lida com a degradação mental de maneira brilhante. Conforme a expedição avança para as áreas mais profundas e grotescas da selva, a mente dos exploradores começa a fraturar. O título não entrega avisos óbvios de que você está enlouquecendo — não há uma barra vermelha gritante na interface de usuário, por exemplo. Em vez disso, a sua percepção da realidade é alterada de forma insidiosa.

Você pode começar a ver criaturas deformadas espreitando nas folhagens que seus parceiros simplesmente não enxergam, ou notar o cenário se contorcendo em geometrias impossíveis. Isso impacta ativamente a jogabilidade, já que os membros da equipe raramente compartilham as mesmas alucinações. É aqui que a paranoia se instala: você deve confiar na própria visão ou na negação desesperada do seu colega de equipe?

O peso da lâmina

Sua fé o ajudará a manter a sanidade?

Gosto de acreditar que, talvez para simular o despreparo de exploradores do século XVII, os controles de The Mound sejam deliberadamente pesados. O recuo das armas de pólvora é agressivo, e o tempo de recarga é angustiantemente longo. No controle do Xbox Series X, os gatilhos passam bem o peso dessas armas primitivas. Porém, a movimentação flerta perigosamente com o “engessado”, porque o combate corpo a corpo carece de um feedback tátil refinado. Os golpes de espadas e facas frequentemente parecem flutuar antes de acertar o alvo, que parece não sentir o golpe, tornando as lutas de curta distância desajeitadas, mesmo quando a tensão da situação exige precisão cirúrgica.

Por mais que a atmosfera seja magistral, The Mound sofre consideravelmente devido a escolhas cruciais de balanceamento de game design. A falha mais gritante é a resistência dos inimigos, pois eles  são “esponjas de dano” extremas. Em um jogo que restringe severamente sua capacidade de carregar munição e exige longas animações para recarregar ou curar, enfrentar criaturas que absorvem dezenas de ataques sem recuar quebra completamente a imersão e torna o combate mais maçante do que assustador.

Outro problema no design está na repetição forçada de seu ciclo principal. A necessidade constante de voltar ao galeão e reiniciar o “loadout” após cada pequena progressão destrói o ritmo narrativo de descoberta. Você sente que está constantemente apertando o “botão de reset”, o que gera uma sensação de fadiga prematura. Por fim, a total ausência de ferramentas de escalonamento dinâmico de dificuldade condena o jogo ao fracasso na experiência solo. Sem o chat de voz e a dinâmica de desconfiar dos amigos, jogar offline perde o apelo e se torna apenas um simulador de inventário frustrante.

Sobrevivência para poucos 

The Mound: Omen of Cthulhu é uma adição polarizadora ao cenário de terror cooperativo. Quando o jogo funciona, ele orquestra perfeitamente um balé de paranoia e tensão atmosférica, amparado por um sistema de insanidade criativo e um áudio de altíssima qualidade. É um título voltado para jogadores dispostos a imergir no roleplay e lidar com restrições extremas. Todavia, suas mecânicas de combate extremamente punitivas, com inimigos com vida inflada e um loop de progressão exaustivo que impedem a obra de atingir seu potencial máximo. Se você possui um grupo dedicado que prioriza a atmosfera sobre ação, a expedição vale a pena. Para jogadores solo ou que buscam mecânicas mais refinadas, talvez seja melhor deixar estes tesouros intocados no fundo da selva.

Cópia de Xbox Series X cedida pelos produtores

Revisão: Júlio Pinheiro

The Mound: Omen of Cthulhu

6

Nota Final

6.0/10

Prós

  • Sistema de insanidade é genial
  • Design de áudio imersivo
  • Direção de arte cthulhiana

Contras

  • Loop de gameplay cansativo
  • Controles de combate engessados
  • Inimigos "esponjas de dano"