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Review Farlands (Xbox Series X) – Uma fazenda espacial sem muito brilho

Dentro de um gênero tão saturado como o dos simuladores de fazenda, Farlands tenta encontrar seu próprio espaço ao transportar a fórmula já consagrada para um pequeno sistema solar em decadência. O jogo aposta em um estilo visual cartunesco e vibrante, com planetas distintos que oferecem biomas variados e recursos únicos. Essa ambientação cria uma atmosfera de descoberta constante, já que cada novo planeta traz desafios e recompensas diferentes, com contrastes que reforçam a identidade própria do título.

Desenvolvimento: JanduSoft

Distribuição: JanduSoft

Jogadores: 1 (local)

Gênero: Ação, Aventura, Simulação

Classificação: Livre

Português: Legendas e interface  

Plataforma: Xbox Series X|S, Xbox One, PS5, PS4, PC, Switch 2

Duração: 17 horas (campanha)

Trabalhe muito

Uma nave estacionada. O personagem desceu e vai ao encontro de outro personagem.
Você ganha uma fazenda caindo aos pedaços

Farlands nos coloca na pele de alguém que decide abandonar a rotina estressante de uma grande cidade para recomeçar em outro lugar. A oportunidade surge na forma de uma oferta tentadora: um planeta agrícola inteiro vendido por um preço surpreendentemente baixo. Ao chegar, descobrimos que a propriedade estava abandonada há anos. As plantações desapareceram, as estradas foram tomadas pelo mato e muitas instalações exigem restauração completa. Com pouco mais do que uma velha nave espacial e um droide de assistência, nossa missão passa a ser devolver vida àquele canto esquecido do universo.

Logo percebemos que os problemas não se limitam ao nosso planeta. Todo o sistema solar enfrenta dificuldades, e os poucos habitantes que ainda permanecem guardam histórias e razões próprias para continuar em um lugar tão remoto da galáxia. À medida que exploramos novos mundos, vamos conhecendo esses personagens e descobrindo o que levou o sistema ao abandono. A narrativa não é o foco principal, mas funciona como um fio condutor que dá sentido ao progresso e conecta as diferentes atividades do jogo, sem impor ritmo específico, deixando a curiosidade e o desejo de restaurar o sistema impulsionarem o jogador.

Após dois anos em estado de acesso antecipado, a versão 1.0 finalmente permite concluir a história. Ela inclui o planeta final, conteúdo pós-desfecho, todas as conquistas e a possibilidade de completar a Arca em sua totalidade. Assim, Farlands deixa de ser uma experiência em construção ou uma campanha aguardando atualizações e se torna um jogo completo, pronto para ser vivenciado do início ao fim.

Uma vida rural no espaço

Mapa do sistema solar, no qual tem alguns planetas e luas.
O sistema solar lhe dá mais oportunidade de exploração

Embora a primeira impressão lembre outros grandes representantes do gênero, Farlands rapidamente mostra que não pretende ser apenas mais um simulador de fazendinha. Cultivar, limpar terras, obter recursos e melhorar ferramentas fazem parte da rotina, mas tudo isso se integra em um sistema de progressão mais amplo. As primeiras horas funcionam como um tutorial natural, dedicado a recuperar nosso planeta, enquanto novas mecânicas são introduzidas gradualmente. Essa progressão é um dos pontos fortes do jogo, já que quase todas as atividades estão conectadas: recursos obtidos permitem melhorar ferramentas, enquanto ferramentas melhores abrem novas áreas, que fornecem materiais essenciais para expandir a fazenda ou aprimorar o armazém.

A agricultura é o eixo central da experiência, mas o jogo não nos prende apenas à fazenda. A nave espacial é o elemento que melhor define sua personalidade, pois os deslocamentos entre planetas fazem parte da própria progressão. Cada destino traz recursos únicos, personagens e objetivos que impactam diretamente nossa evolução, transmitindo uma sensação de aventura maior do que em simuladores agrícolas tradicionais. A exploração ganha importância com planetas que oferecem novos materiais, minas e desafios, enquanto o combate aparece como complemento, adicionando variedade sem se tornar protagonista. A versão 1.0 amplia esse aspecto ao incluir o planeta final e novas mecânicas, mantendo o interesse em descobrir lugares inéditos.

As relações sociais também enriquecem a experiência. Conversar com habitantes, conhecer suas histórias e participar de eventos torna o universo mais vivo, e a versão final adiciona romances, casamento e sistemas sociais que ampliam as opções de interação. O jogo dosa bem seus objetivos, evitando a sensação de tarefas repetitivas sem propósito: é comum começar colhendo uma plantação e terminar explorando outro planeta, conversando com vizinhos ou avançando em missões secundárias. Essa sucessão de pequenas metas torna o progresso natural e envolvente, ainda que algumas rotinas típicas do gênero possam parecer repetitivas para quem busca uma aventura mais dinâmica.

Pequenos detalhes que não apagam a diversão

Uma cidade espacial com algumas criaturas diferentes.
Conheça outras cidades e outros personagens

O jogo aposta em visuais de pixel art e uma perspectiva de cima para baixo que remetem imediatamente a simuladores de fazenda clássicos. A influência de Stardew Valley é clara na representação dos personagens, na organização dos ambientes e até em alguns elementos da interface. No entanto, o cenário espacial introduz diferenças suficientes para que o jogo construa uma identidade própria, combinando a tranquilidade da vida rural com a atmosfera de exploração interplanetária.

O progresso visual do planeta é uma das recompensas mais satisfatórias da experiência. No início, encontramos um lugar abandonado, tomado por ervas daninhas e obstáculos, mas à medida que limpamos estradas, recuperamos campos e restauramos instalações, o ambiente se transforma em um lar. Essa evolução reflete diretamente nosso esforço e reforça a sensação de conquista. Além disso, viajar pelo espaço amplia a variedade estética, permitindo visitar planetas com cenários distintos e reforçando a ideia de um sistema conectado. O estilo artístico privilegia cores vibrantes e designs acolhedores, evitando a frieza típica da ficção científica e mantendo o tom aconchegante esperado de um simulador relaxante.

As animações são simples e poderiam ter mais detalhes, mas o conjunto mantém uma estética coerente. O foco não está na complexidade técnica, e sim no contraste entre atividades tradicionais, como agricultura, e elementos espaciais, como naves e sistemas de oxigênio. O ponto que mais pede melhorias são os tempos de carregamento, pois cada viagem entre planetas ou transição de dia exige esperas maiores do que gostaríamos. Embora não cheguem a ser exageradas, essas pausas quebram um pouco o ritmo de uma experiência que incentiva a encarar tarefas e avançar continuamente.

No fim, tudo vale a pena

Embora não revolucione os simuladores de fazenda e possa parecer simples demais para quem busca alta complexidade ou combate profundo, Farlands cumpre muito bem o que se propõe ao transportar uma fórmula familiar para o espaço, conquistando desde os primeiros minutos os fãs de simulação agrícola e gerenciamento tranquilo — especialmente os órfãos do estilo Stardew Valley — ao oferecer uma jornada acolhedora, relaxante e envolvente focada na exploração, na rotina de cultivo e na charmosa missão de consertar uma nave antiga para trazer um planeta esquecido de volta à vida.

Cópia de Xbox cedida pelos produtores

Revisão: Júlio Pinheiro

Farlands

7

Nota Final

7.0/10

Prós

  • Arte e design
  • Diversão
  • Gameplay

Contras

  • Planetas
  • Atividades da fazendo
  • interação com outros personagens