Capa de The Duskbloods

Preview The Duskbloods (Switch 2) – O crepúsculo dos caçadores solitários

Poucos anúncios recentes dividiram tanta opinião quando a FromSoftware revelou numa Direct um exclusivo de Nintendo Switch 2 voltado para o multiplayer competitivo. The Duskbloods ainda não tem data marcada e é a primeira parceria do estúdio com a Nintendo. Mas antes do lançamento, os desenvolvedores abriram um teste de rede fechado entre os dias 21 e 24 de agosto, com um mapa e seis personagens disponíveis.

Desenvolvimento: FromSoftware
Distribuição: Nintendo
Jogadores: 1-8 (online)
Gênero: Ação
Classificação: 16 anos (violência)
Português: Interface e legendas
Plataformas: Switch 2
Duração: Sem registros

Uma disputa por pontos

Encontro de inimigos e aliados
Enfrentar os chefes rende pontos e obriga rivais a cooperarem por alguns instantes. Imagem: Reprodução/FromSoftware

A grande surpresa da versão de teste é que The Duskbloods parece um soulslike, mas funciona como um jogo de tabuleiro. Cada partida reúne oito jogadores em quatro fases, e quem vence não é quem mata mais, e sim quem junta mais pontos, chamados de Virtude no game. Dá para pontuar derrubando outro jogador dentro de uma área marcada, mas também derrotando chefes, fazendo juramentos em altares e cumprindo tarefas espalhadas pelo mapa. Ao fim da segunda e da terceira fase, quem tem menos pontos é eliminado, até sobrarem três para a decisão.

Em cima disso, o título constrói mecânicas bem inteligentes. É possível fazer aliança com outros participantes, o que desliga o fogo amigo e faz os dois dividirem pontos, mas quem rompe o acordo transfere parte da própria vida máxima para o ex-parceiro, ficando mais fraco e fortalecendo justamente quem traiu. Existem ainda momentos de cooperação forçada, quando um chefe invasor aparece e todo mundo por perto fica temporariamente impedido de se atacar, e um selo que transforma um participante em caçador de um “herege” da partida, enquanto esse herege caça de volta.

Aqui, o problema é que o PvP cobra caro demais de quem está atrás. Como matar rende pontos e a maior parte das atividades exige parar em um lugar fixo, é comum ser interrompido no meio de tudo por alguém que só está passando, e quem abre vantagem cedo tende a aumentá-la cada vez mais. O balanceamento entre personagens também estava longe de resolvido nessa versão de testes, com a atiradora Sniper Layla dominando as partidas de longe enquanto os personagens mais lentos apanhavam bastante.

Movimentação excelente, estabilidade nem tanto

Luta em grupo contra um dos chefes do jogo
Atacar de cima é uma das vantagens dos três saltos aéreos disponíveis a todos os personagens. Imagem: Reprodução/FromSoftware

Um dos pontos altos do jogo é a melhor movimentação que a FromSoftware já entregou. O personagem pula, dá mais três saltos no ar, ataca, defende e desvia enquanto está voando, além de se pendurar em beiradas e escalar. Não existe dano de queda, então errar um pulo não custa nada, e o vigor não é consumido fora de combate, o que elimina de vez aquele arrastar de pés entre uma luta e outra que sempre incomodou na franquia Souls. O mapa foi desenhado exatamente para isso, todo empilhado na vertical, cheio de telhados, torres e catedrais.

A apresentação acompanha. A cidade gótica do teste é linda, os chefes têm design memorável e, pela primeira vez em um jogo do estúdio, existe um tutorial de verdade, que explica as regras com calma antes de soltar o jogador na partida. O game chegou ao teste com manual, guia e FAQ oficiais completos em português do Brasil, algo raríssimo nessa altura do desenvolvimento, e o próprio diretor já creditou publicamente à Nintendo a ajuda para comunicar sistemas complicados.

O lado técnico, porém, precisa de trabalho. A primeira sessão do teste sequer aconteceu, porque os servidores caíram e a FromSoftware encerrou a janela mais cedo, pedindo desculpas. Nas sessões seguintes, o incômodo foi o atraso no tempo de resposta, com esquivas que acontecem na tela do jogador, mas que não ocorriam no servidor, além de quedas de desempenho no modo portátil. Também não era possível convidar amigos, apesar de não considerarmos isso como um defeito, já que os produtores avisaram que a função estaria disponível apenas no jogo completo.

Diferente de tudo

Mesmo em uma versão de pré-lançamento que ainda não está finalizada, dá para enxergar um jogo diferente de tudo que a FromSoftware já fez até aqui, com uma movimentação superior à de qualquer título anterior do estúdio e uma disputa por pontos que abre espaço para estratégia, e não só para reflexo. Falta ver os outros dois mapas prometidos, a variação em que a batalha final é contra um chefe e, principalmente, como o jogo se comporta quando enfim der para jogar ao lado dos amigos.

Revisão: Julio Pinheiro