Nitro Gen Omega é um RPG baseado em turnos produzido pelos italianos do estúdio independente DESTINYbit. Com mecânicas que prezam pela tática e uma apresentação inspirada nos animes, o título infelizmente fica um pouco abaixo das expectativas por conta de erros que poderiam ter sido facilmente evitados pela equipe de desenvolvimento.
Desenvolvimento: DESTINYbit
Distribuição: DESTINYbit, Beep Japan Inc.
Jogadores: 1 (local)
Gênero: RPG
Classificação: 10 anos (violência)
Português: Interface e legendas
Plataformas: PC, Switch, Xbox Series X|S, PS5
Duração: 25 horas (campanha)
Turnos táticos

Sem foco em contar uma história, Nitro Gen Omega coloca o jogador, desde o primeiro instante da campanha, para andar por um mapa e lutar contra inimigos. O game é situado em um mundo dominado por inteligências artificiais rebeldes, então é necessário patrulhar uma ilha com um mecha ocupado por uma party de quatro personagens para livrar o local de novas ameaças. As lutas são estruturadas num sistema tático, com uma linha do tempo na qual o jogador e o adversário se revezam colocando ordens nela e preparando as ações da rodada.
Cada rodada das batalhas possui duas fases: primeiro, é necessário planejar o que será executado por cada membro da party. Depois, é preciso acompanhar a fase de resolução, quando essas ordens são executadas de acordo com sua respectiva posição na linha do tempo. As ordens são os movimentos de ataque, uso de habilidades especiais, mudança de posição no mapa, tudo dentro dos padrões dos RPGs e sem grandes novidades nesse aspecto. Nitro Gen Omega, porém, exige um pouco de estratégia no posicionamento dessas ações na linha do tempo. Por exemplo, enquanto uma ordem pode determinar que um certo personagem utilize o mecha para atirar no rival da vez, outra ordem pode colocar outro personagem para cumprir a tarefa de carregar a munição ou de resfriar os equipamentos do robô.

A fase de planejamento do combate pede atenção, já que não dá para reverter algum movimento depois que ele é colocado na linha do tempo, e os eventos na batalha ainda podem impactar a equipe, seja negativamente, causando danos, ou positivamente, com o acerto de ataques críticos. Ao concluir missões e derrotar inimigos, são desbloqueadas fichas de atividade. É possível gastá-las na aeronave para influenciar o desempenho dos pilotos, reduzindo o cansaço e adicionando experiência para a equipe, ao mesmo tempo em que também se formam vínculos — é fundamental trabalhar o ânimo do time nessa criação de vínculos, uma vez que, dependendo desse medidor, um piloto pode até chegar a abandonar o grupo por puro desânimo.
Apresentação estilosa, mas sem carisma

Alguns detalhes da apresentação de Nitro Gen Omega são sensacionais, mas outros deixam a desejar. O RPG tem uma interface bonita, mas nem sempre com textos legíveis, pois as fontes frequentemente se atrapalham um pouco. Há, além disso, problemas nas interações dos menus, além de um esquema de comandos no mouse e teclado que não funciona tão bem quanto o comportamento do jogo nos controles.
No entanto, Nitro Gen Omega adota uma direção artística que lembra especificamente o clássico Tengen Toppa Gurren-Lagann, com animações exageradas e estilosas. É aí que entra o principal diferencial do RPG, que o faz parecer único perto de praticamente qualquer outro jogo de turno, porque o sistema de planejamento cria pequenas cutscenes de combate, exibidas na fase de resolução, com lutas visualmente divertidas e bem feitas.

O problema é que o RPG em si não tem uma unidade de carisma sequer. O título erra no design dos personagens jogáveis que compõem a parte, porque eles não foram exatamente criados e desenhados pelos desenvolvedores, mas sim gerados aleatoriamente com base em um número restrito de personalizações possíveis — e nem todas ficam boas, com opções que realmente combinem. Há a opção de criar personagens do zero, mas a ferramenta de criação passa longe de ser intuitiva. Nessa, o game deixa de lado uma característica em comum de todo grande RPG, que é uma party distintiva que carrega a aventura.
Muito da graça de séries como Persona e Final Fantasy vem de ver os membros da equipe interagindo entre si, muitas vezes com uma leveza que complementa bem o tom da trama principal. Nitro Gen Omega, por causa dessa escolha de optar pela criação ou geração automática de personagens, traz mecânicas sociais (como o sistema de vínculos mencionado anteriormente) que não funcionam tão bem justamente por isso — acaba sendo mesmo um jogo com bastante potencial perdido.
Jogabilidade legal, o resto nem tanto
Nitro Gen Omega traz mecânicas de gameplay interessantes, mas desperdiça tanto sua jogabilidade quanto parte de sua apresentação em um pacote maçante e sem sal. Nada é tão interessante por causa da falta de uma narrativa mais presente e de uma party que não seja gerada de forma aleatória. Todo bom RPG é elevado por uma história cativante, marcada por personagens únicos, e nada desse quesito existe nesse jogo. Isso é, no fim das contas, uma grande pena.
Cópia de PC cedida pelos produtores
Revisão: Ailton Bueno




