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Review R-Type Dimensions 3 (Xbox Series X) – O brilho que não convence

R-Type Dimensions 3 surge como a mais recente remake de uma das franquias mais icônicas do gênero shoot ‘em up. Combinando a nostalgia dos clássicos side-scrollers com recursos modernos, o jogo busca entregar uma experiência que honra o legado da série enquanto apresenta novidades para atrair tanto veteranos quanto novos jogadores. A proposta é clara: manter a intensidade das batalhas espaciais contra hordas alienígenas, mas com gráficos aprimorados, modos de jogo variados e uma atmosfera que mistura desafio e espetáculo visual. Mais do que uma simples continuação, Dimensions 3 se posiciona como uma celebração da história do R-Type e um convite para mergulhar novamente em seu universo implacável — mas que, infelizmente, não deu tão certo.

Desenvolvimento: KK3

Distribuição: ININ Games 

Jogadores: 1-2 (local)

Gênero: Tiro

Classificação: 10 anos (violência)

Português: Não  

Plataforma: Xbox Series X|S, Xbox One, PS5, PS4, PC, Switch 2

Duração: 2 horas (campanha)

Voe para a luta

A nave dispara um tiro carregado seguido de vários outro tiros menores, em direção a um inimigo robô.
Visualmente falando, o jogo cumpre seu papel.

R-Type III: The Third Lightning, lançado em 1993 para o SNES, mostrava até onde a criatividade podia levar o hardware da época, com uma variedade de mecânicas que o colocaram entre os melhores shooters de console. O segredo estava no equilíbrio: um design brutalmente desafiador, mas sempre justo, que fazia o jogador suar frio sem nunca sentir que estava sendo enganado.

É justamente esse equilíbrio que torna qualquer remake uma tarefa delicada. Não basta apenas atualizar os gráficos ou adicionar efeitos chamativos; é preciso respeitar a essência que fez o original ser tão memorável. O jogo mantém a receita básica desse gênero, onde você escolhe sua nave no início e enfrenta hordas e mais hordas de inimigos disparando tiros por todos os lados em uma sequência de combate lateral, além de pegar melhorias que podem facilitar sua batalha durante o percurso . Por trás da fachada moderna, o jogo entrega uma experiência que parece desconectada do espírito da série. Em vez de trazer aquela sensação de desafio recompensador, muitas vezes o que se encontra é frustração pura.

Algumas fases chegam a dar a impressão de que não passaram por testes adequados. A Fire Cask Factory, por exemplo, parece mais um exercício de paciência do que uma prova de habilidade, enquanto outra se transforma em um labirinto de erros de design que minam a diversão. É difícil acreditar que um jogo com esse peso histórico tenha saído da garantia de qualidade sem que alguém levantasse a mão para dizer “isso não está certo”.

Um visual bacana, mas pouco inovador

A nave está tentando escapar de um inimigo poderoso, em meio ao cenário de corredor apertado.
Inúmeros inimigos podem aparecer de uma vez na tela.

Em teoria, R-Type Dimensions III tinha tudo para ser um sucesso garantido. Afinal, R-Type Dimensions EX, de 2018, mostrou respeito absoluto ao material clássico, permitindo que os jogadores alternam entre os visuais originais em bitmap e gráficos 3D modernos, um recurso que justificava sua existência e conquistava fãs. The Third Lightning, por sua vez, trazia todos os ingredientes para repetir a fórmula: fases icônicas, três variações da Força com estilos distintos, chefes memoráveis e desafiadores… parecia impossível dar errado.

De início, o remake até engana bem. As novas texturas, iluminação refinada, cenários retrabalhados e uma trilha sonora rearranjada criam a impressão de que estamos diante da edição definitiva de The Third Lightning. Alternar entre as duas versões é um espetáculo à parte, mostrando o quanto a tecnologia evoluiu em mais de três décadas. O uso das diferentes Forças (Redonda, Ciclone e Sombras) combinado com as cargas de canhão de onda, transforma a tela em um show de neon e explosões que impressionam qualquer fã de shmups.

Clássica luta contra um dos chefes do jogos, mas com o visual retrô.
O jogador pode alternar para o modo clássico a hora que quiser.

Mas basta conhecer o original para perceber que algo não encaixa. As imperfeições começam a aparecer cedo e se tornam cada vez mais evidentes ao longo da campanha de seis fases. O que deveria ser uma celebração do legado acaba se transformando em uma experiência irregular, onde o brilho da apresentação não consegue esconder os problemas de design que comprometem o jogo.

Fundamentalmente, o maior problema de R-Type Dimensions III é que ele simplesmente não tem a precisão que fez o clássico do SNES ser tão especial. O R-Type III de 1993 era exigente, sim, mas também justo: cada morte por inimigo, projétil ou colisão ambiental parecia merecida. Você aprendia os padrões, memorizava os movimentos e pilotava o R-90 com a confiança de um veterano. Aqui, no entanto, algo parece fora de lugar quase o tempo todo. A detecção de acertos é inconsistente, os perigos ambientais não são claros e as interações com inimigos frequentemente soam erradas.

Pode parecer detalhe para quem não é fã dedicado de shmups, mas em R-Type, esses detalhes são tudo. Quando uma colisão parece suspeita ou um espaço seguro de repente não funciona como décadas de prática ensinaram, o fluxo se quebra. Houve vários momentos em que me movi para áreas que eram seguras no original, apenas para ser atingido por balas “fantasmas” ou por terrenos que não respeitam o design clássico. O problema não é que o remake seja mais difícil — é que ele é inconsistente. Ter que reaprender tudo, não por evolução natural do desafio, mas por falhas de execução, soa injusto e mina a experiência.

Problemas do mundo moderno

Luta contra um chefe aranha robô.
As lutas contra os chefes são bem legais, mas trazem bugs irritantes.

Infelizmente, a transição para o 3D também traz seus próprios problemas. Não quero ser o chato que não gosta de nada: algumas fases são realmente impressionantes, com corredores metálicos reluzentes e criaturas Bydo renderizadas em texturas que aumentam o fator grotesco. O espetáculo visual existe, mas R-Type nunca foi sobre espetáculo, mas sim sobre clareza. Sem contar que algumas lutas contra chefes traz bugs que atrapalham completamente a jogabilidade, como aconteceu varias vezes comigo onde a dinâmica do cenário muda para 2.5D, e mesmo quando você morre, a tela fica travada nessa posição, atrapalhando toda sua estratégia até chegar novamente na luta contra o chefe da fase novamente.

Os sprites originais tinham uma legibilidade impecável, essencial para o posicionamento pixel-perfeito do R-90 em frações de segundo, navegando por campos de tiro e passagens claustrofóbicas. Em Dimensions III, essa clareza se perde. Balas inimigas, perigos ambientais e efeitos de fundo se misturam em uma confusão visual que atrapalha mais do que ajuda.

O Estágio 4 é talvez o exemplo mais gritante disso. O que antes era um desafio de memorização bem estruturado no SNES, agora se transforma em um caos visual. Os efeitos aprimorados, os fundos em camadas e a enxurrada de detalhes ambientais tornam difícil distinguir o que é ameaça e o que é cenário. Em momentos cruciais, essa falta de legibilidade mina completamente a experiência. Mais de uma vez, me vi alternando para o modo pixel original — não apenas por nostalgia, mas porque era simplesmente mais limpo e funcional. Em um shooter que depende de precisão absoluta, isso não deveria ser necessário.

A nave está disparando rajadas pelas costas enquanto sobrevoa o cenário.
Você pode melhorar seu armamento em alguns momentos.

Outro ponto que pesa contra Dimensions III é a sensação de desconexão entre o ritmo do jogo e a resposta do controle. No original, cada movimento do R-90 parecia preciso, quase cirúrgico, e isso dava ao jogador a confiança necessária para enfrentar os desafios mais insanos. No remake, essa sincronia se perde em momentos cruciais. Pequenos atrasos, colisões suspeitas e a falta de consistência nos padrões inimigos criam uma experiência que parece sempre um pouco fora de sintonia. Em um gênero onde a margem de erro é mínima, essa falta de precisão transforma o desafio em frustração.

Além disso, há uma questão de identidade. R-Type sempre foi lembrado por equilibrar dificuldade brutal com uma sensação de justiça e clareza. Dimensions III, ao tentar modernizar a apresentação, acaba sacrificando justamente o que tornava o jogo único. O resultado é um título que parece mais preocupado em impressionar visualmente do que em oferecer a jogabilidade refinada que os fãs esperavam. Quando a estética começa a atrapalhar a mecânica, o remake deixa de ser uma homenagem e passa a ser uma sombra do clássico que deveria ser celebrado.

Uma oportunidade perdida

No fim das contas, R-Type Dimensions III é um remake que falha em sua missão mais importante: honrar o legado de um dos shooters mais respeitados da história. Embora impressione em alguns momentos com sua apresentação modernizada, ele tropeça justamente nos elementos que definem a identidade da série — precisão, clareza e consistência. O resultado é um jogo que parece mais preocupado em causar impacto visual do que em entregar a experiência refinada que os fãs esperavam. Para quem conhece o original, a sensação é de frustração, já que, em vez de reviver a intensidade equilibrada e desafiadora de The Third Lightning, encontra um título irregular, onde pequenos problemas se acumulam e comprometem a diversão. Já os novatos talvez encontrem apenas um shooter visualmente atraente, mas sem a alma que fez R-Type atravessar gerações. Dimensions III está longe de ser um desastre, mas também não chega perto de ser a celebração que deveria. No fim, fica a sensação de uma oportunidade desperdiçada e a lembrança de que nem todo clássico sobrevive a um remake mal calibrado.

Cópia de Xbox cedida pelos produtores

Revisão: Júlio Pinheiro

R-Type Dimensions 3

5

Nota Final

5.0/10

Prós

  • Arte e design

Contras

  • Dificuldade
  • Variedade de armas
  • Bugs permanentes