skyracket-capa

Review Sky Racket – Um conceito único

Poucos jogos fazem coisas tão diferente como Sky Racket, um jogo independente desenvolvido e publicado pelo estúdio brasileiro Double Dash. As mecânicas são uma mistura de jogos do gênero shoot ‘em up e alguns arcades como Breakout, Block Breakers, Pong, Alleyway e afins. O resultado é a junção de gráficos pixel art com cara de anime e músicas que lembram a cultura japonesa, somados à uma jogabilidade bastante interessante que esbanja qualidade, mas com algumas ressalvas.

Ano: 2019
Jogadores: 1-2 (local)
Gênero: Ação, Aventura
Classificação indicativa:
Livre
Português: Apenas legendas
Plataformas: PC

Sempre penso que estes tiros rosas são para rebater (não foi apenas eu)

Diversão, confusão e imprecisão

A jogabilidade se faz entender em poucos minutos: acerte as bolinhas laranjas (que começam a piscar de outro cor ao serem arremessadas) e use-as como arma para destruir obstáculos e inimigos na tela. É um conceito muito interessante e divertido, se não fosse a quantidade de objetos que surgem na tela e confundem o jogador fazendo com que ele não saiba mais o que são as bolinhas, tiros, projéteis inimigos e derivados – grande parte da culpa são as cores não tão diferentes entre si.

Fica uma crítica também ao fato de não podermos usar o mouse para jogar e nem mesmo para rebater. É bacana contar com suporte à controles, mas não posso dizer o mesmo jogando com o teclado. Outra frustração é que estas mesmas bolinhas que você pode usar como arma também servem para te acertar e arrancar parte de sua vida, fazendo com que seu principal ataque também seja sua fraqueza. Se isso acontecesse apenas com alguns inimigos, os quais também são possíveis de se usar como arma, não veria tanto problema, mas o jogo me passa a impressão de um pouco de injustiça quando você percebe que acabou de causar dano em si porque a bolinha quicou na tela e veio na sua cara, ou que bateu em falso numa delas e acabou levando uma “bolada”. Além do mais, aparentemente o hitbox (área de colisão) para que você acerte os objetos não é agradável, e foi onde errei várias vezes os alvos mais do que acertei. Como nos jogos de shoot ‘em up normalmente seus projeteis saem de você, aqui as coisas complicam um pouco por você ter que fazer uso daquilo que vem em sua direção.

O design deste chefe esquilo-lutador é tão absurdo que eu gostei

Impedimentos

Como de costume em jogos de “navinha” com progressão lateral (ou até mesmo de baixo pra cima), não é possível atirar em elementos ou inimigos atrás da sua nave (talvez com bombas que explodem ao seu redor). O mesmo acontece aqui com a impossibilidade de acertar qualquer objeto que venha por trás de você, e isso normalmente fica um pouco frustrante principalmente em momentos de lutas contra chefes da fase onde sobra apenas a opção de desviar. Alguns acabam surgindo no lado esquerdo da tela, como o Luchanuki, e não há como acertar ele se você não usar a mecânica das bolinhas de quicar nas bordas e fazer com que elas voltem para trás. Tudo bem este impedimento ser uma inspiração em jogos do gênero, mas tecnicamente não sou uma nave. Por que então não posso chutar as coisas atrás de mim?

42 hits de combo foi até admirável de se chegar

O que é bom ou podia melhorar

Apesar de muito criticar Sky Racket, quero dizer que adorei o conceito e a jogabilidade, porém sinto falta de um pouco de polimento no jogo. Muitas coisas são bem pensadas e deixam o jogo mais divertido, como encontrar personagens durante sua jornada que ficam ao seu lado durante as fases para servir como um apoio. Cada um destes personagens tem uma habilidade própria que te dão uma vantagem a mais, porém não fica 100% claro o como é feito para recarregar a energia deste seu apoio para a habilidade ser usada novamente – sem falar que é facílimo perder estes carinhas num só ataque.

O que adorei foi sua parceira poder reviver – jogando em dupla – a qualquer momento apertando o botão de “start” desde que você tenha pelo menos um coração completo para doar, mas não foi explicado durante o jogo que isso consumia minha vida e nem mesmo existe um feedback visual claro o bastante avisando que isso funciona assim. Também houveram alguns momentos onde eu tinha apenas metade de um coração e acabei pegando uma vida flutuante que estava por ali. Minha parceira podia reviver a partir disso, mas a mensagem avisando que isso era possível não apareceu novamente no topo da tela como aparecia quando eu já possuía vida o suficiente para tal.

Outro ponto a ser tratado é a dificuldade, que em alguns momentos está tranquila e de repente sobe absurdamente. Fora que o jogo não deixa você escolher um nível adequado para sua experiência, então ou você fica bom o suficiente ou você não será capaz de passar os desafios apresentados – sem misericórdia aqui. Acompanhado disso existem as missões dentro de cada fase que, sinceramente, são praticamente impossíveis de serem cumpridas. Algumas envolvem não ser acertado NENHUMA vez, realizar um combo de 200 hits, entre outros absurdos que me deram um pouco de vontade de re-jogar algumas fases, mas não a loucura suficiente para fazer isso.

Em Sky Racket você navega por mundos que são liberados com a progressão do jogo – você pode fazer isso usando viagem rápida, UFA -, e no final de cada mundo existe um chefão com habilidades e padrões diferentes. O design e as características destes personagens finais são bem únicos, e a gente percebe que há aqui um esforço bem sucedido de não criar chefes genéricos.

Conclusão sobre as raquetes do espaço

A Double Dash conseguiu fazer um jogo criativo, com uma mistura de fórmulas que jamais vi em outro lugar. Talvez eu possa ter dado a entender que Sky Racket não é um bom jogo, mas muito pelo contrário: aqui temos um indie com qualidade gigante e diversão equivalente, mas peca em não oferecer uma dificuldade mais acessível para a maior parte do público. E isso não é uma ideia tão distante, a qual poderia ser feita adicionando mais corações flutuantes durante as fases e não exigindo que sua vida fosse consumida pelo segundo jogador caso este quisesse reviver e continuar jogando. Isso não mudaria as mecânicas principais do jogo e daria mais chances de se manter vivo – bom, talvez pudessem aumentar a hitbox dos objetos só pra facilitar.

Até o momento desta análise, o jogo está disponível apenas para PC no Steam, com planos de ser lançado nas plataformas PS4, Xbox One e Switch em breve. Aliás, ele conta com o Steam Remote Play Together, assim você pode jogar com amigos que estão longe de você como se estivessem ao seu lado (já que o único multiplayer aqui é o local).

Prós

  • Direção de arte
  • Cooperativo divertido
  • Personagens de apoio
  • Conceito único
  • Jogo de boa durabilidade
  • Fator replay

Contras

  • Dificuldade não acessível
  • Hitbox imperfeito
  • Poucas chances de se obter vidas
  • Missões

Este review foi feito usando uma cópia para PC cedida com carinho pela Double Dash Studios