Captain Tsubasa 2: World Fighters é uma continuação difícil de descrever e entender. Além dos gráficos e talvez da jogabilidade, praticamente tudo é igual ou inferior ao primeiro game, com poucos modos de jogo e conteúdo no geral. Apesar de ser divertido jogar algumas partidas, é difícil que entretenha por muito tempo.
Desenvolvimento: Tamsoft Corporation
Distribuição: Bandai Namco
Jogadores: 1-2 (local e online)
Gênero: Esporte
Classificação: 14 anos (linguagem imprópria, temas sensíveis)
Português: Não
Plataformas: PC, PS5, Switch, Xbox Series X|S
Duração: 17 horas (campanha)/37 horas (100%)
A saga dos Super Campeões

Captain Tsubasa é uma franquia que começou com o mangá lançado em 1981 e teve inúmeros produtos lançados ao longo das últimas décadas, inclusive com o anime exibido no Brasil com o título de Super Campeões (hoje aqui a série é oficialmente chamada de Capitão Tsubasa). Este Captain Tsubasa 2: World Fighters é uma continuação de Captain Tsubasa: Rise of New Champions, de 2020, e a história é baseada em um arco do mangá original. O mangá é uma história com o futebol como tema central e que inclusive ajudou a aumentar a popularidade do esporte no Japão.
Captain Tsubasa 2: World Fighters é um jogo de futebol com partidas um contra um, online e offline, além de um modo história. Sendo baseado em um anime, naturalmente não se trata de um jogo de simulação ou que busca realidade, mas sim uma jogabilidade preenchida por chutes especiais e carrinhos que desafiam a física. Não há faltas e, claro, nada de impedimento.
Jogabilidade até que diverte

Você tem comandos básicos de passe, chute ao gol, passe avançado, correr, trocar de jogador, carrinho e movimento especial. Você deve chutar ao gol para tirar parte dos pontos de vida do goleiro – ao vencer, a bola entra. Os personagens possuem movimentos especiais, dependendo da sua posição: atacantes fazem chutes poderosos ao gol, meio-campistas tem passes super elaborados e zagueiros executam carrinhos indefensáveis e à longa distância. Também há uma mecânica interessante de chute ao gol, onde o atacante escolhe uma direção e o goleiro deve tentar acertar essa direção e, quanto mais próximo acerta a direção do chute, melhor é a defesa.
O maior tempo das partidas é focado numa disputa incessante de carrinhos e dribles, seguidos pelo eventual chute ao gol para tentar vencer o goleiro. A ideia é boa e vai empolgando aos poucos, mas senti que logo se torna repetitivo. Basicamente, é ver quem consegue dar um carrinho final e chegar até o gol e chutar. Em suma, ainda que seja um jogo divertido, creio que falta profundidade e tende a enjoar rapidamente. As mecânicas são diferentes e mais simplificadas do que o jogo anterior.
Modo história fraquíssimo

A história é contada em um formato que é essencialmente uma visual novel, com partidas entre as cenas. Também há algumas cenas extras, que podem dar algumas recompensas. É um modo bastante sem graça, pois é basicamente isso: ver diálogos e jogar partidas. Em Rise of New Champions havia elementos de RPG e outras mecânicas que tornavam o modo mais instigante, por exemplo.
Se você não tem muita ligação com o anime ou mangá, também fica difícil de se envolver. Além disso, o modo história é praticamente obrigatório, pois é necessário jogá-lo para liberar os times. O game já tem pouco conteúdo e liberar boa parte dele ainda estar sujeito à jogar várias horas do modo história é uma decisão bastante questionável.
Falta conteúdo e localização brasileira

Mas ainda que a jogabilidade possa divertir (em maior ou menor nível, dependendo do seu gosto), é inegável que o conteúdo é muito cru e faltam elementos básicos. Essencialmente, há apenas o modo história e partidas 1 contra 1. Não há sequer um modo de campeonato offline. Nas partidas em si, não há substituições, escolha de dificuldade, times personalizados, escolha do tempo dos jogos e diversas outras opções até que básicas. Fica cansativo comparar, mas o jogo anterior tinha diversos modos de jogo. Também não há crossplay no modo online.
Eu não costumo reclamar disso, mas é impossível não destacar a falta do nosso idioma no jogo. Além de sermos o dito país do futebol, o Brasil é parte importante da história (Tsubasa joga no São Paulo no início da história, por exemplo) e o jogo anterior era traduzido. Definitivamente é incompreensível essa omissão, o que faz me crer mais ainda que foi um jogo produzido com orçamento muito limitado, apenas para manter a franquia no mercado.
Fica a dúvida do porquê desse lançamento
Captain Tsubasa 2: World Fighters parece um game feito de qualquer forma para se ter algo para entregar. A esperança é que atualizações gratuitas e os DLCs pagos já previstos (mas não especificados) possam tornar o game uma melhor experiência. Porém, nesse momento do lançamento, é um jogo bastante decepcionante.
Cópia de PS5 cedida pelos produtores
Revisão: Julio Pinheiro




