Capa de Life is Strange: Reunion

Review Life is Strange: Reunion (PC) – Um bom reencontro

Mais uma vez produzido pela Deck Nine em vez dos criadores originais, Life is Strange: Reunion é uma sequência direta de Double Exposure, lançado em 2024 — é melhor evitar esse lançamento caso ainda não tenha jogado esse, porque ele começa dando spoilers de tudo o que ocorreu na trama até então. Reunion foca em um reencontro entre Max e Chloe, já que o título anterior rasgou a escolha de Arcadia Bay, que era de conhecimento público há mais de 10 anos, com a unificação de múltiplas linhas temporais. Partindo disso, o game desenvolve um novo mistério envolvendo um incêndio, ao mesmo tempo em que lida com o paradoxo criado pela combinação de diferentes realidades em uma só.

Desenvolvimento: Deck Nine

Distribuição: Square Enix

Jogadores: 1 (local)

Gênero: Aventura

Classificação: 14 anos (drogas, linguagem imprópria, violência)

Português: Interface e legendas

Plataformas: PC, PS5, Xbox Series X|S

Duração: 11 horas (campanha)

A vida cada vez mais estranha

Cena da campanha de Life is Strange: Reunion

Para aproveitar a experiência proposta por Life is Strange: Reunion, é fundamental saber tudo o que ocorreu em Double Exposure. Apesar do game relembrar todos os eventos anteriores, incluindo os dos primeiros títulos da franquia, Reunion passa um tempão desenvolvendo ainda mais os personagens de Double Exposure, sem uma reintrodução para quem pulou esse jogo em questão. Então, por mais que a presença de Chloe chame a atenção de quem ignorou tudo o que veio na franquia depois de Before the Storm, há esse dever de casa de 12 horas para conseguir entender boa parte de Reunion — não à toa, a Square Enix preparou um pacote que contém esses dois jogos, que se complementam totalmente, por bem e por mal.

Os eventos começam quando um incêndio acontece na Universidade Caledon, e Max, agora trabalhando como professora, é incapaz de ajudar as pessoas. Ela volta no tempo para tentar impedir que isso ocorra, investigando quem pode ter provocado o fogo enquanto duvida, a todo instante, se Safi, sua amiga sumida e que foi revelada ser uma metamorfa no jogo anterior, está envolvida nessa situação. Ao mesmo tempo, Chloe está surpreendentemente viva, mas sofrendo com visões malucas envolvendo as alterações temporais provocadas por Max, o que a leva para um reencontro com a protagonista após um bom tempo — sendo essas as partes que fazem Reunion ser um game interessante.

Max e Chloe em Life is Strange: Reunion

A grande reviravolta de Double Exposure não funcionou exatamente, e ela acaba sendo o maior ponto fraco do game, que é prejudicado pelas decisões meio sem noção desse jogo anterior apesar de contar uma trama consideravelmente mais pé no chão, chegando até a escantear algumas partes que ficaram em aberto. A vibe da narrativa é boa, no entanto. O game acerta demais na atmosfera melancólica, mas aconchegante de sempre, dando a sensação de que algo muito estranho está acontecendo com uma trilha sonora perfeita acompanhando tudo.

Voltando no tempo e discutindo

Escolhendo o que dizer

A jogabilidade de Life is Strange: Reunion segue os padrões da franquia e não apresenta muitas novidades. É preciso andar pelos cenários e interagir com os itens, além de entrar em conversas que podem ter escolhas feitas pelos jogadores. Muitos desses diálogos não são tão relevantes para a trama em geral e servem mais para desenvolver os personagens, mas, ocasionalmente, é necessário tomar decisões que impactam os rumos da narrativa e a relação das protagonistas com o restante do elenco.

Além disso, a gameplay é rica em funções de acessibilidade, que deixam a experiência bem tranquila até para quem quer só sentar e ver os eventos da trama, sem explorar tanto os mapas — que são detalhados, mas que contam, às vezes, com objetivos que possuem interações confusas e pouco intuitivas. Dá para colocar ícones de pontos fotográficos, ativar confirmações para escolhas importantes e até ganhar mais tempo para decidir o que fazer, deixando a jogatina bem agradável.

Diálogo em Life is Strange: Reunion

Max pode conversar com as pessoas, descobrir novas informações sobre elas e voltar no tempo sabendo mais para ter interações que a levem adiante em seus objetivos, enquanto Chloe não tem poderes, mas é capaz de bater boca com quem a incomodar, sendo necessário reagir rapidamente e escolher o melhor argumento possível para vencer cada debate. Nos momentos em que Max e Chloe estão juntas, o jogo alterna o comando entre as duas, sendo realmente permitido moldar livremente o destino da relação entre elas.

A ideia de Reunion é ser, de uma vez por todas, um capítulo final para essa trama, embora isso seja bem duvidoso justamente porque os desenvolvedores passaram por cima do primeiro game da franquia, que lá em 2015 era considerado como um fim para as personagens — tanto que a série se tornou uma antologia logo depois, quando ainda estava nas mãos dos produtores originais. As cenas entre elas são, de longe, o ápice do jogo, com interações sensacionais e com uma química única que faz com que toda a experiência certamente valha a pena ser prestigiada.

Apresentação bugada

Conversa em Life is Strange: Reunion

Life is Strange: Reunion tem bons gráficos e uma direção artística excelente, semelhante à do primeiro game da franquia, mas com uma fidelidade técnica dentro dos padrões modernos, com animações ótimas. O jogo foi claramente feito em cima do trabalho de Double Exposure, reaproveitando muitos cenários, mas isso não chega a ser um problema, pois foi provavelmente isso que permitiu que Reunion tenha sido lançado quase um ano e meio depois do game anterior. Porém, a composição das cutscenes é prejudicada por uma infinidade de falhas técnicas que poderiam ser evitadas pela equipe de desenvolvimento, além de crashes na versão de PC.

Há serrilhados constantes em cenas que utilizam efeitos de blur ou de profundidade, além de quedas aleatórias na taxa de quadros dependendo dos cenários. Além disso, o jogo sofre com vários problemas de pop-in, seja de gramados, sombras ou texturas, que sempre surgem do nada em trocas de cenas, o que atrapalha (e muito) todo o lado cinematográfico do jogo.

Cutscene com Max e Chloe

Life is Strange: Reunion também sofre com dois problemas específicos de jogos de seu estilo: muitas vezes, dá para ver o jogo alternar da cutscene de uma escolha específica para uma cena de outra decisão, seja pelas animações diferentes ou pela mudança abrupta de tom de fala dos personagens. Pelo menos, são poucas as ocasiões em que isso é perceptível. O que não muda é o sistema de salvamento, porque só guarda o progresso no começo de cada cena, então, dá para perder o que foi feito ao parar na metade de uma — principalmente nas mais longas, que requerem bastante exploração.

O reencontro da década

Por mais que Life is Strange: Reunion seja uma sequência de um jogo que não é tão adorado por conta de sua história de qualidade duvidosa, o título acerta simplesmente ao reunir, depois de muita ginástica mental, duas das personagens mais adoradas dos videogames, dando um fim incrível a elas (dependendo das escolhas, claro). Reunion é, de longe, o primeiro jogo da série em muito tempo que foi capaz de recapturar toda a magia do início da franquia com sucesso, valendo a pena aguentar todas as reviravoltas duvidosas da trama do game anterior só para ver Chloe e Max tendo o final que merecem.

Cópia de PC cedida pelos produtores

Revisão: Jason Ming Hong

Life is Strange: Reunion

8.5

Nota Final

8.5/10

Prós

  • Excelente reencontro
  • Decisões principais realmente estão na mão do jogador

Contras

  • Muitos bugs visuais
  • Reviravolta de Double Exposure prejudica trama