review-bubsy-4d-switch-2-1

Review Bubsy 4D (Switch 2) – A franquia piada que insiste em assim se manter

Bubsy 4D é o retorno do felino aos jogos de três dimensões após o infame fracasso de Bubsy 3D, em 1996. Mas não dá pra dizer que a redenção veio: ainda que não seja ruim como o antecessor, o novo jogo é confuso, tem controles ruins e cenários com uma arte de gosto questionável.

Desenvolvimento: Fabraz
Distribuição: Atari
Jogadores: 1 (local)
Gênero: Plataforma
Classificação: Livre
Português: Não
Plataformas: PC, PS4, PS5, Switch, Switch 2, Xbox One, Xbox Series X|S
Duração: 3 horas (campanha)

O (novo) retorno do infame felino

As cores do cenário parecem ser aleatórias
Jogo é cheio de situações que você pode cair facilmente, e espera que você passe correndo por elas

Bubsy é o personagem-título de uma série de games de plataforma iniciada ainda na geração 16 bits. Alguns anos depois, a série ficou mais conhecida, mas não para o bem, devido ao lançamento de Bubsy 3D, um dos jogos mais mal avaliados já lançados. A história de seu desenvolvimento é pitoresca, voltando ao momento em que seu criador, Michael Berlyn, viu em uma feira o que a Nintendo estava preparando com Super Mario 64. Ao perceber que estavam no rumo errado, Berlyn quis mais tempo para polir o game, mas foi obrigado pela editora a lançar o quanto antes.

Isso colocou Bubsy na geladeira por décadas, até o lançamento de Bubsy: The Woolies Strike Back em 2017 e Bubsy: Paws on Fire! em 2019, dois jogos de plataforma em 2D e ambos também mal recebidos. Agora, o personagem volta ao 3D com este Bubsy 4D que, ainda que tenha seus pontos positivos, entrega no geral uma experiência bastante fraca e até mesmo frustrante.

Fases ruins e repetitivas

Eu abro um jogo pra esquecer do trabalho mas o jogo não deixa
Admito que não esperava encontrar uma protoboard num jogo, ainda mais um como esse

Controlamos Bubsy em fases 3D relativamente abertas, com o objetivo apenas de chegar até o final delas, mas também há uma boa quantidade de itens para serem coletados. As fases são estranhas, sendo um tanto abertas e por vezes sem indicação muito clara de por onde seguir, mas elas consistem principalmente de lugares para serem alcançados pulando e passar por túneis, dos quais você pode cair facilmente e apenas se frustrar. Há alguns inimigos espalhados de forma aparentemente aleatória pelas fases, totalmente fáceis de serem apenas ignorados.

Pior que as fases, apenas os controles

O jogo espera que você passe rapidamente por esses caminhos, mas isso apenas fará você cair mais
Por algum motivo as fases são cheias desses caminhos que você pode cair

Juntamente com o level design ruim, temos o controle do próprio Bubsy, que também incomoda bastante. Além de andar e pular, o personagem possui alguns outros movimentos, todos interligados de maneira bastante truncada. É possível planar depois de um pulo (que rapidamente começa a apenas cair verticalmente), dar uma espécie de salto para a frente e que pode atacar inimigos. Por fim, é possível se enrolar em uma bola que pode se mover mais rapidamente. O problema é que essas possibilidades não se encaixam bem e, ao tentar alcançar uma plataforma a partir de outra, você vai usar esses movimentos de forma um pouco aleatória para chegar lá.

Bubsy anda de maneira irritantemente lenta. Você pode se tornar uma bola e correr mais rápido, mas perde muito em controle do personagem, sendo muito fácil sair do cenário, principalmente nos túneis. É como se level design e controles se juntaram e combinaram qual seria a forma de otimizar a decepção do jogador. O jogo consiste de apenas 15 fases (3 delas com chefes) mas você provavelmente vai agradecer por ter acabado logo, caso se sujeite a essa tarefa. Você pode se entreter por alguns momentos, mas provavelmente logo encontrará outra situação que pouca diversão consegue trazer.

Pouco para fazer, ainda mais difícil querer fazer

O último chefe, inclusive, conta com participação dos dois anteriores
Há um total de três chefes no game, mas pelo menos são até que bons

Há muita coisa para se coletar, mas o difícil é encontrar estímulo para ir atrás delas. Se você estiver disposto, pode encontrar itens que podem ser usados para comprar novos movimentos e outras coisas, mas nada que vá alterar a experiência. Os cenários são confusos, tanto mecanicamente quanto graficamente. A direção de arte é bastante duvidosa, com cores chamativas ilustrando as fases de forma um pouco aleatória. O jogo não tem nenhuma sensação de impacto, seja quando você acerta inimigos ou quando é atacado.

Nem tudo é ruim, já que ao menos os personagens são bem modelados, ainda que no Switch 2 seus modelos pareçam pouco suavizados em comparação com as outras plataformas, num console que certamente consegue entregar mais do que isso. Mas, no geral, parece algo feito bastante na pressa e com orçamento limitado, apenas com o intuito de trazer alguma atenção para a série.

Talvez seja melhor deixar quieto

É um pouco difícil de compreender a existência de Bubsy 4D, ainda mais com a história pregressa da série. Parece uma franquia fadada a jogos que são medianos, no melhor dos casos. Não foi dessa vez que o lince encontrou a sua redenção, se é que ela em algum momento virá.

Cópia de Switch 2 cedida pelos produtores

Revisão: Julio Pinheiro

Bubsy 4D

4.5

Nota final

4.5/10

Prós

  • Muitos itens para coletar
  • Design dos personagens

Contras

  • Controles e movimentos ruins
  • Level design confuso e frustrante
  • Pequena quantidade de fases e conteúdo no geral
  • Gráficos dos cenários é estranho